Mulheres sauditas poderão viajar sozinhas ao exterior

Decreto do governo saudita permite que mulheres acima de 21 anos tirem passaporte próprio e viajem sem a necessidade de autorização de um homem da família

Redação

ANBA ANBA

São Paulo (Brasil)

As mulheres sauditas não precisarão mais da permissão de um homem da família para obter um passaporte e viajar para o exterior. Um decreto assinado pelo rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz, divulgado quinta-feira (01/08), diz que é direito de todo cidadão saudita obter um passaporte e limita a necessidade de aprovação de um tutor do sexo masculino apenas a menores. A notícia foi amplamente divulgada em veículos sauditas, árabes e internacionais.

O decreto foi redigido de maneira neutra em relação a gênero e não estabelece restrições específicas para as mulheres. A iniciativa faz parte do projeto governamental Visão 2030, que tem por objetivo modernizar e diversificar a economia no país para além do petróleo. Nesse sentido, a Arábia Saudita vem promovendo um movimento de abertura, permitindo que mulheres frequentem estádios, possam dirigir e, agora, viajar sozinhas.

A embaixadora da Arábia Saudita nos Estados Unidos, princesa Reema Bint Bandar, disse no Twitter que as emendas são “destinadas a elevar o status das mulheres sauditas dentro de nossa sociedade, incluindo garantir o direito de solicitar passaportes e viajar de forma independente”.

Para Bandar, “essas novas regulamentações estão fazendo história”. “É uma abordagem holística para a igualdade de gênero que, sem dúvida, criará uma mudança real para as mulheres sauditas”, acrescentou. Segundo a diplomata, as mulheres sempre desempenharam um papel integral no desenvolvimento do país árabe.

Wikimedia Commons
Decreto foi redigido de maneira neutra em relação a gênero e não estabelece restrições específicas para as mulheres

A questão do decreto estava em discussão no Conselho da Shura, espécie de Parlamento, há algum tempo. A professora Eqbal Darandari, integrante do órgão consultivo saudita, falou sobre a necessidade de revogar a exigência da permissão de um guardião para as mulheres sauditas viajarem.

“Eu sou pela justiça, e há muita injustiça contra algumas mulheres devido a tradições e práticas mal interpretadas, e perspectivas religiosas limitadas, colocando as mulheres em perigo como resultado”, disse, Darandari, segundo o site do jornal saudita Arab News.

Uma série de meios de comunicação internacionais informou no início deste ano que a decisão de remover todas as restrições às mulheres que viajam estava sendo discutida nos níveis mais altos do governo e deveria ser implementada antes do final deste ano.

Comentários