Justiça da Itália ordena desembarque dos migrantes do navio da Open Arms em Lampedusa

Cerca de 90 pessoas ainda estavam a bordo; Open Arms recolheu mais de 140 migrantes à deriva na costa da Líbia, mas os menores e doentes puderam ser retirados do navio nos últimos dias

Redação

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Paris (França)

O Ministério Público italiano determinou nesta terça-feira (20/08) o desembarque de cerca de 90 migrantes a bordo do navio da ONG espanhola Open Arms na ilha de Lampedusa. Segundo comunicado, a decisão foi tomada pelo promotor de Agrigento, Luigi Patronaggio, após uma inspeção da polícia judiciária e dois médicos na embarcação humanitária, que aguardava por uma decisão há 19 dias.

Patronaggio determinou que os migrantes desembarquem nas próximas horas em solo italiano. A decisão foi anunciada pouco depois que um navio militar saiu da Espanha, nesta terça-feira, em direção à embarcação da Open Arms para o resgate de cerca de 90 pessoas.

"A situação no barco é explosiva, de máxima urgência", reconheceu o promotor de Agrigento. Patronaggio também tomou a decisão de abrir uma investigação por sequestro de pessoas, omissão e recusa de ajuda oficial.

Para o ministro do Interior, a decisão o visa diretamente. "Se alguém acha que vai me assustar com a enésima denúncia e abertura de processo, engana-se. É uma piada convencer a Espanha a enviar um navio para fazer os migrantes desembarcarem na Itália e julgar o ministro do Interior que continua a defender as fronteiras do país", publicou o líder da extrema direita italiana em seu Twitter.

Migrantes se jogaram no mar

Cerca de 15 migrantes que estavam a bordo do navio humanitário da Open Arms se atiraram no mar nesta terça-feira, sem coletes salva-vidas, para tentar chegar a nado a Lampedusa. A embarcação estava bloqueada a cerca de um quilômetro da costa da ilha até esta tarde nas águas italianas, proibida pelo governo da Itália de ancorar em qualquer porto do país.

A Open Arms recolheu mais de 140 migrantes à deriva na costa da Líbia, mas os menores e doentes puderam ser retirados do navio nos últimos dias. Restam cerca de 90 pessoas na embarcação onde a situação sanitária é calamitosa, ressalta há vários dias a ONG. "A situação está fora de controle", publicou a Open Arms em sua conta no Twitter.

O governo espanhol enviou nesta terça-feira um navio militar para resgatar os migrantes. Madri já havia proposto no domingo (18/08) que a embarcação humanitária atracasse em Algeciras, no sul, ou nas ilhas Baleares, no oeste. Mas, para a ONG, a operação era "absolutamente irrealizável". Devido à distância, seriam necessários mais três dias de navegação, uma espera "insustentável", segundo os ativistas.

Reprodução
Navio com migrantes estava há 19 dias aguardando decisão para desembarcar em Lampedusa

Seis países europeus vão acolher os migrantes

Há vários dias, seis países europeus - França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal, Romênia e Espanha - anunciaram que vão receber os migrantes do navio da Open Arms. Ainda assim, o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, continuava inflexível sobre a proibição de acolher a embarcação em um porto do país.

O destino dos migrantes suscitou trocas de farpas entre a Espanha e Salvini, acusado de querer tirar proveito político do caso em plena crise política em Roma. "A firmeza é a única maneira de impedir que a Itália se torne novamente o acampamento de refugiados da Europa, como demonstra o barco da ONG espanhola cheia de falsos doentes e falsos menores", publicou o líder da extrema direita italiana no Twitter.

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