Tufão causa mortes e deixa rastro de destruição no Japão

Equipes intensificam operações de resgate após passagem avassaladora do Hagibis, um dos piores tufões a atingir a região de Tóquio em décadas; fenômeno provoca inundações e deixa vários mortos, feridos e desaparecidos

Redação

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Bonn (Alemanha)

A passagem avassaladora do tufão Hagibis pelo Japão deixou dezenas de mortos, feridos e desaparecidos neste fim de semana, enquanto se intensificam as operações de resgate. O país sofre ainda com inundações e inúmeros danos materiais causados pelo fenômeno climático.

Segundo o último balanço da emissora de televisão pública NHK, divulgado neste domingo (13/10), ao menos 26 pessoas morreram em várias cidades devido ao tufão, um dos piores a atingir a região de Tóquio em décadas. Outras 18 pessoas seguem desaparecidas, e 175 ficaram feridas.

Mais de 100 mil pessoas, incluindo 31 mil militares, mobilizados pelo governo, trabalham nas operações de resgate. A NHK exibiu imagens dos dramáticos resgates com uso de helicópteros e barcos em áreas residenciais inundadas após rios transbordarem.

Carros e casas aparecem submersas em águas barrentas. Segundo o governo, o tufão causou 56 deslizamentos de terra em 15 prefeituras, e 21 rios tiveram suas margens rompidas.

A cidade de Nagano, no centro do país, foi uma das mais afetadas pelo transbordamento do rio Chikuma. Situação semelhante ocorreu na província de Tochigi, devido ao transbordamento do rio Akiyama. Nos dois locais, equipes de resgate retiraram moradores que haviam ficado ilhados nos andares superiores de casas e edifícios.

Em Tóquio, o rio Tama também transbordou, e os térreos de alguns edifícios, incluindo um hospital, inundaram. Muitos moradores de rua vivem nas cercanias do Tama, e os trabalhos de busca e resgate continuam à medida em que o nível da água diminui.

Também na capital, seis dos 12 tripulantes de um cargueiro com bandeira panamenha desapareceram, e dois morreram após péssimas condições climáticas e fortes ondas afundarem o navio, que estava ancorado na baía de Tóquio, de acordo com a agência de notícias Kyodo.

picture-alliance/dpa/Kyodo/MAXPPP
Casas ficaram submersas na água barrenta de rios que transbordaram

Às 18h deste domingo (horário local), cerca de 100 mil residências na região metropolitana de Tóquio continuavam sem energia elétrica, segundo informou a companhia Tokyo Electric Power Company (Tepco).

A passagem do Hagibis, o 19º da atual temporada de tufões no Oceano Pacífico, ainda paralisou os transportes da região da capital. Embora os serviços estejam sendo restabelecidos gradualmente, mais de 800 voos programados para este domingo foram cancelados.

No sábado, temporais levaram a Agência Meteorológica do Japão (JMA) a declarar um incomum alerta máximo, com o qual pediu para que a população se refugiasse em lugares altos. As ordens e recomendações de evacuação chegaram a afetar mais de 10 milhões de pessoas.

Nas regiões de Tohoku, no nordeste do país, e Kanto, onde fica Tóquio, a quantidade de chuva registrada desde o sábado, provocada pelo Hagibis, equivale a de 30 a 40% da quantidade habitual em um ano, segundo a JMA.

As companhias proprietárias de algumas represas autorizaram a liberação de água como medida de emergência para evitar que as comportas rompessem, o que em alguns casos aumentou ainda mais o volume de rios que já haviam transbordado devido às intensas chuvas.

As autoridades pediram que a população se mantenha alerta apesar de o tufão já ter passado pelo país, por causa do risco de desabamentos de construções e deslizamentos de terra.

Na cidade de Ichihara, em Chiba, a leste de Tóquio, um tornado formado pela influência do tufão horas antes de ele tocar terra destruiu 12 casas e danificou mais de 70, além de ter provocado o tombamento de um veículo, matando um homem de 50 anos.

A região, que ainda estava se recuperando da passagem do tufão Faxai, em setembro, também foi surpreendida no sábado por um terremoto de magnitude 5,7 na escala Richter com epicentro no mar.

O tufão perdeu força após atravessar o território japonês e, ao meio-dia, foi rebaixado para a categoria de ciclone extratropical.

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