Colômbia: Café produzido por ex-guerrilheiros das FARC vence concurso internacional

Apresentado sob o nome de 'Espírito de Paz', café ficou em primeiro lugar entre 27 produtores de nove países diferentes

Os grãos de café produzidos por ex-combatentes do antigo grupo guerrilheiro FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) nas montanhas de Miranda e Toribío, localizadas ao norte da província colombiana de Cauca, foram os vencedores do Prêmio Internacional do Café Ernesto Illy, entregue na noite desta quarta-feira (16/10) em cerimônia realizada em Nova York, nos EUA.

Apresentado sob o nome de "Espírito de Paz", em referência à reincorporação dos antigos guerrilheiros na sociedade após o Acordo de Paz de 2016, o café, que é exportado pela Associação Colombiana de Pequenos Cafeicultores (Ascafé), foi o primeiro premiado entre 27 produtores de nove países diferentes incluindo Brasil, Costa Rica, Etiópia, Guatemala e Honduras.

"É uma honra e um prazer reconhecer a Colômbia, o 'Espírito de Paz' e a Ascafé pela conquista, assim como aplaudir todos os nossos finalistas que se concentraram em produzir um café da mais alta qualidade através de métodos sustentáveis", afirmou Andrea Illy, presidente da Illy Café.


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Segundo o executivo, "esse prêmio celebra e honra o projeto do 'Espírito da Paz' que nós apoiamos desde o começo, com o objetivo de dar uma chance à comunidade rural colombiana [que vive] do café para se tornar o motor de uma transformação maior por meio da reintegração econômica dos ex-combatentes e de suas vítimas da região de Cauca".

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Apresentado sob o nome de 'Espírito de Paz', café foi o primeiro premiado entre 27 produtores de nove países diferentes

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Espaço para reintegração

A região onde o café premiado é cultivado e produzido é considerada como um Espaço Territorial de Capacitação e Reincorporação (ETCR), área garantida pelo Acordo de Paz assinado entre o ex-presidente Juan Manuel Santos e o então grupo guerrilheiro FARC em 2016, para onde os antigos combatentes se dirigiram após a deposição das armas.

Para os ex-guerrilheiros, o ETCR é essencial para o processo de ressocialização pretendido pelo Acordo de Paz, uma vez que é dirigido pelos próprios moradores e prevê a produção de renda própria.

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