Após ação policial, nove pessoas morrem pisoteadas em baile funk de São Paulo

Testemunhas afirmaram que a polícia encurralou jovens no local; já delegado diz que, "aparentemente", não teria havido "nenhum excesso" por parte da corporação

Ao menos nove pessoas morreram pisoteadas na madrugada de sábado para domingo (01/12) após ação policial em um baile funk em Paraisópolis, zona sul de São Paulo.

A informação sobre as mortes foi dada no início da tarde pelo delegado Emiliano da Silva Chaves Neto, do 89º DP.  As identidades das vítimas não foram divulgadas e outras sete pessoas foram feridas. As mortes ocorreram após uma “ação de controle de distúrbios civis” feita pela Polícia Militar utilizando “munições químicas”, de acordo com o delegado.

A polícia alega que dois homens viajando em uma motocicleta teriam atirado contra policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) que realizavam uma operação na região. Os agentes teriam perseguido os dois até o baile, causando tumulto generalizado entre as mais de 5.000 pessoas presentes.

Em entrevista ao portal G1, a mãe de uma adolescente de 17 anos que foi ferida na ação policial disse que a menina levou uma garrafada na cabeça e um golpe de cassetete em suas costas, dados por um policial.  

De acordo com a mãe da vítima, a polícia teria preparado uma emboscada contra os adolescentes que estavam no baile. De acordo com o delegado, “aparentemente” não houve “nenhum excesso” por parte da corporação.

Vilar Rodrigo/Wikimedia
Ao menos nove morreram após serem pisoteados em baile funk em Paraisópolis, SP

Também ao G1, um jovem de 18 anos afirmou ter visto que viu muitos adolescentes passando mal por causa das bombas de gás atiradas pela polícia.  “Chegaram atirando em todo mundo. A gente estava no baile e primeiro veio a bomba. Começaram a cair as pessoas, passando mal, e a desmaiar, sendo pisoteadas. Ficamos encurralados. Não tinha para aonde correr, para aonde ir. Muita gente caindo já morta, a polícia atirou. Muitas pessoas tentavam salvar a própria vida. Vi muito sangue e escutei bastante barulho de tiro”, descreveu. 

O caso teve repercussão nas redes sociais. “Mais uma tragédia social. Ou o Brasil muda de rota e assume políticas de proteção social ou assistiremos ao avanço da barbárie”, disse, por meio de seu perfil no Twitter, o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). “Essa é a política de segurança dos tucanos? Orientei nossa bancada do PT na Assembleia Legislativa que acompanhe a investigação muito de perto”, afirmou o ex-ministro Luiz Marinho.

“Lamento profundamente as mortes ocorridas no baile funk em Paraisópolis nesta noite. Determinei ao Secretário de Segurança Pública, General Campos, apuração rigorosa dos fatos para esclarecer quais foram as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio”, disse o governador João Doria (PSDB).

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