Incêndios se aproximam de Melbourne e obrigam 100 mil a deixar suas casas

Temperaturas permanecem elevadas e as fortes rajadas de vento alastram o fogo rapidamente na região sudeste do país

Redação

RFI RFI

Paris (França)

Cerca de 100 mil moradores e turistas foram retirados nesta segunda-feira (30/12) de cinco periferias de Melbourne, ameaçadas pela propagação dos incêndios florestais no estado de Victoria, na Austrália. As temperaturas permanecem elevadas e as fortes rajadas de vento alastram o fogo rapidamente na região sudeste do país.

As autoridades declararam estado de emergência na segunda maior cidade australiana. Em Bundoora, a 16 quilômetros do centro de Melbourne e sede das duas principais universidades da Austrália, o fogo "ameaça casas e vidas", anunciou o serviço de emergência do estado de Victoria.

Canais locais exibem imagens de bombeiros sobrevoando bairros residenciais e de famílias molhando suas casas na esperança de impedir o avanço das chamas. Cerca de 30 mil turistas que estavam na reserva florestal de East Gippsland, de superfície equivalente à metade da Bélgica, deixaram a região onde será difícil impedir a chegada do fogo, segundo as autoridades.


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Mais de 12 focos estão fora de controle na reserva. Alguns incêndios são de tamanha intensidade que centenas de bombeiros tiveram que recuar para fora da linha de fogo de quase mil quilômetros. As autoridades alertaram os turistas em Gippsland que o fogo pode provocar o fechamento da última estrada ainda aberta.

Fire and Rescue NSW
Temperaturas permanecem elevadas e as fortes rajadas de vento alastram o fogo rapidamente na região sudeste do país

Temperaturas recordes

O estado de emergência decretado em Melbourne é o mais recente desde o início da atual e devastadora temporada de incêndios na Austrália, em setembro. O fenômeno é agravado por uma seca prolongada e pelas mudanças climáticas.

No estado de Nova Gales do Sul, um bombeiro voluntário morreu nesta segunda-feira e dois outros sofreram queimaduras durante os combates às chamas ao sudoeste de Sydney. Desde o início dos incêndios, 11 pessoas morreram, mais de mil casas foram destruídas e mais de três milhões de hectares (área maior que o território da Bélgica) foram devastados.

As temperaturas bateram recorde no país neste mês de dezembro. Na Austrália Ocidental, os termômetros atingiram 47 graus e marcaram mais de 40°C em todos os estados, inclusive no estado insular da Tasmânia.

Tempestades 'secas'

Na Austrália do Sul, as condições também são consideradas "catastróficas". O comandante dos bombeiros do estado, Brenton Eden, citou o risco de tempestades elétricas "secas" - que geram trovões e raios, mas não chuvas - que já provocaram vários incêndios, incluindo um na ilha Kangaroo.

As condições também devem piorar em Nova Gales do Sul, que nesta segunda-feira registrava 100 incêndios ativos, 40 deles fora de controle. Sydney e outras grandes cidades foram cobertas por uma fumaça tóxica durante semanas, o que obrigou as crianças a permanecer em suas casas e provocou o cancelamento de eventos esportivos.

A capital Camberra cancelou a festa de fogos de artifício do Ano Novo. Em Sydney, os moradores lançaram uma campanha para fazer o mesmo e destinar o dinheiro ao combate às chamas. Eles conseguiram reunir 270.000 assinaturas, mas as autoridades anunciaram que a festa está confirmada.

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