China coloca duas cidades em quarentena para impedir propagação de novo coronavírus

Nenhum trem ou avião pode sair ou chegar nesta metrópole de Wuhan de 11 milhões de habitantes onde o primeiro caso do vírus foi detectado

Redação

RFI RFI

Paris (França)

Inicialmente, a cidade chinesa de Wuhan e sua região metropolitana foram isoladas do resto do mundo a partir desta quinta-feira (23/01). Em seguida, a China decidiu colocar também em quarentena Huanggang, devido aos riscos de propagação do coronavírus, que surgiu em dezembro passado. Desde então, o vírus que provoca pneumonia, se propagou atingindo também outros países da região e até os Estados Unidos. Até o momento, 17 pessoas morreram e mais de 500 casos foram detectados na China.

Nenhum trem ou avião pode sair ou chegar nesta metrópole de Wuhan de 11 milhões de habitantes onde o primeiro caso do vírus foi detectado. Mesmo cenário em Huanggang, cidade de 7,5 milhões de moradores, que também tem vários casos registrados da doença.

Em Wuhan a aflição da população é grande, constata o enviado especial da RFI à cidade, Stéphane Lagarde. "Claro que eu tenho medo. Você tem febre e logo depois você não pode mais respirar", explicou um jovem entrevistado pelo repórter. Um cabeleireiro francês, radicado na cidade, indicou que as autoridades aconselham a não ir aos locais onde há muito gente. “Isso dá medo”, disse ele.


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Todos os moradores de Wuhan conhecem de cor os sintomas da misteriosa doença que atacam os pulmões: febre e problemas respiratórios. O novo vírus surgiu há um mês no bairro de Hankou que passou a ser associado à doença e enfrenta agora um novo mal: o medo.

Além dos aviões e trens, todos os transportes públicos – ônibus e metrôs – foram suspensos na capital da província de Hebei, no sudeste do país. As festividades do Ano Novo Chinês, que começavam nesta sexta-feira (24/01), foram canceladas e milhares de chineses viram os projetos de viajar para passar as festas com a família abortados.

A prefeitura também impôs o uso de máscaras cirúrgicas à população. Bares, hotéis e butiques situados na confluência dos rios Han e Yangstzé estão vazios. Na pista de patinação no gelo, instalada em um centro comercial de Hankou e que deveria ser a atração deste período de festas, apenas uma única menina patina. “Os pais não deixam mais as crianças virem aqui. Eles pensam que elas poderiam ser contaminadas pelo vírus. Por enquanto, não tenho medo. Penso que se as crianças vêm patinar é porque elas estão em boa saúde e não devemos nos preocupar”, acredita Cheerwin, de 23 anos, que frequenta o local.

National Health Comission os China
Até o momento, 17 pessoas morreram e mais de 500 casos foram detectados na China

Corrida aos supermercados

Confinados, os moradores de Wuhan se precipitam aos supermercados para fazer estoques de comida. “O preço dos alimentos já começa a subir. Os comerciantes vão vender mais caro e todo mundo vai correr para comprar mercadorias. Vai ser uma confusão”, prevê um francês radicado na cidade.

Cercado por grades vermelhas e vigiado 24h por dia, o mercado de frutos do mar de Hankou, onde o vírus teria surgido, está totalmente isolado desde o início da epidemia. Nesta semana, outros mercados da cidade também foram fechados, antes das autoridades decidirem o confinamento de toda a região metropolitana de Wuhan a partir de hoje.

OMS

Para o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, as medidas tomadas pela China vão diminuir os riscos de contaminação mundial. Segundo ele, a OMS ainda não decidiu se o surto provocado pelo vírus na China, que se estendeu para outros países, constitui uma emergência internacional. O comitê de especialistas da Organização se reúne novamente nesta quinta-feira para debater a questão.

A epidemia gera uma verdadeira “cooperação internacional”, disse o professor Jérôme Salomon, representante do Ministério da Saúde francês, em entrevista à jornalista da RFI Valérie Cohen. "Aprendemos muito com episódios recentes, como a epidemia da gripe aviária em 2003, que gerou um alerta mundial. A transmissão sempre acontece pelas vias respiratórias, com graus de transmissão e virulência diferentes. É notável, a reação internacional é muito rápida. A OMS está mobilizada e a comunidade internacional também está mobilizada", declarou o professor.

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