Alimentos estão mais calóricos e menos nutritivos, revela estudo
Plantações estão reagindo ao aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera e promovendo ‘drásticas’ transformações no que comemos
Um estudo da Universidade de Leiden, na Holanda, soou um alerta sobre a qualidade nutricional dos alimentos que estão sendo produzidos no planeta. Divulgado na revista científica Global Change Biology, a pesquisa revela que o aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera vem tornando os alimentos mais calóricos, muito menos nutritivos e potencialmente mais tóxicos.
The Guardian entrevistou uma das co-autoras da pesquisa, a professora Sterre ter Haarr, que desenvolveu com outros pesquisadores um método capaz de comparar milhares de estudos relativos à resposta das plantas ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera. As mudanças, afirma, “são drásticas”.
“Não estamos vendo um simples efeito de diluição, mas sim uma mudança completa na composição dos nossos alimentos… Isso também levanta a questão de se devemos ajustar nossas dietas de alguma forma, ou como cultivamos ou produzimos nossos alimentos”, alerta.
Ter Haarr explica que embora a produtividade das colheitas tenha aumentado, os níveis de zinco nas plantações estão diminuindo, enquanto os de chumbo vêm aumentando. A pesquisa analisou milhares de estudos em sobre 32 nutrientes em 43 culturas comestíveis, incluindo arroz, batata, tomate e trigo, plantadas tanto ao ar livre, quanto em condições artificiais.
Segundo o estudo, a mudança “pode levar ao agravamento da desnutrição mesmo em populações anteriormente suficientes, ameaçando a segurança dos nutrientes mesmo que a segurança alimentar permaneça adequada; e tornando a comida mais calórica e menos nutritiva”.

Alimentos estão mais calóricos e menos nutritivos, revela estudo
Antonio Cruz/ Agência Brasil
Aumento do CO₂
A professora explica que esses milhares de estudos analisados “usaram experimentos pareados, nos quais as plantas foram cultivadas em condições idênticas, exceto por um fator: o nível de CO₂”. Assim, eles puderam observar a resposta dos nutrientes a diferentes níveis de concentração, concluindo que há uma queda em média de 3,2%. Ao considerar casos isolados, a redução dispara: o teor de zinco no grão-de-bico, por exemplo, apresentou uma diminuição de 37,5%.
A medição de referência usada pelos pesquisadores foi a concentração de CO₂ de 350 partes por milhão, considerada cientificamente como o “último nível seguro”. Essa marca já foi ultrapassada e hoje está em 425,2 partes por milhão. A previsão de alguns cientistas é que essa concentração escale para 550 partes por milhão até 2065.
Durante a entrevista ao jornal britânico, a pesquisadora alertou para “consequências devastadoras para a saúde”, incluindo “fome oculta, em que as pessoas têm alimentos suficientes em termos calóricos, mas nutrientes insuficientes”.
E acrescentou: “as mudanças climáticas não são um problema distante. Os efeitos já estão presentes em nossas refeições, destacou a pesquisadora ao Guardian, salientando que o objetivo da pesquisa não é assustar as pessoas e que “resolver um problema é reconhecê-lo”.
Além de Ter Harr, também assinam o estudo os pesquisadores Peter van Bodegom e Laura Sherer. Ele pode ser acessado na íntegra no site da Global Change Biology.























