Sexta-feira, 4 de setembro de 2026
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Um estudo da Universidade de Leiden, na Holanda, soou um alerta sobre a qualidade nutricional dos alimentos que estão sendo produzidos no planeta. Divulgado na revista científica Global Change Biology, a pesquisa revela que o aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera vem tornando os alimentos mais calóricos, muito menos nutritivos e potencialmente mais tóxicos.

The Guardian entrevistou uma das co-autoras da pesquisa, a professora Sterre ter Haarr, que desenvolveu com outros pesquisadores um método capaz de comparar milhares de estudos relativos à resposta das plantas ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera. As mudanças, afirma, “são drásticas”.

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“Não estamos vendo um simples efeito de diluição, mas sim uma mudança completa na composição dos nossos alimentos… Isso também levanta a questão de se devemos ajustar nossas dietas de alguma forma, ou como cultivamos ou produzimos nossos alimentos”, alerta.

Ter Haarr explica que embora a produtividade das colheitas tenha aumentado, os níveis de zinco nas plantações estão diminuindo, enquanto os de chumbo vêm aumentando. A pesquisa analisou milhares de estudos em sobre 32 nutrientes em 43 culturas comestíveis, incluindo arroz, batata, tomate e trigo, plantadas tanto ao ar livre,  quanto em condições artificiais.

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Segundo o estudo, a mudança “pode levar ao agravamento da desnutrição mesmo em populações anteriormente suficientes, ameaçando a segurança dos nutrientes mesmo que a segurança alimentar permaneça adequada; e tornando a comida mais calórica e menos nutritiva”.

Alimentos estão mais calóricos e menos nutritivos, revela estudo
Antonio Cruz/ Agência Brasil

Aumento do CO₂

A professora explica que esses milhares de estudos analisados “usaram experimentos pareados, nos quais as plantas foram cultivadas em condições idênticas, exceto por um fator: o nível de CO₂”. Assim, eles puderam observar a resposta dos nutrientes a diferentes níveis de concentração, concluindo que há uma queda em média de 3,2%. Ao considerar casos isolados, a redução dispara: o teor de zinco no grão-de-bico, por exemplo, apresentou uma diminuição de 37,5%.

A medição de referência usada pelos pesquisadores foi a concentração de CO₂ de 350 partes por milhão, considerada cientificamente como o “último nível seguro”. Essa marca já foi ultrapassada e hoje está em 425,2 partes por milhão. A previsão de alguns cientistas é que essa concentração escale para 550 partes por milhão até 2065.

Durante a entrevista ao jornal britânico, a pesquisadora alertou para “consequências devastadoras para a saúde”, incluindo “fome oculta, em que as pessoas têm alimentos suficientes em termos calóricos, mas nutrientes insuficientes”.

E acrescentou: “as mudanças climáticas não são um problema distante. Os efeitos já estão presentes em nossas refeições, destacou a pesquisadora ao Guardian, salientando que o objetivo da pesquisa não é assustar as pessoas e que “resolver um problema é reconhecê-lo”.

Além de Ter Harr, também assinam o estudo os pesquisadores Peter van Bodegom e Laura Sherer. Ele pode ser acessado na íntegra no site da Global Change Biology.