Quarta-feira, 15 de abril de 2026
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Os astronautas da Artemis 2 concluíram o sobrevoo lunar, uma etapa crucial da sua missão de dez dias, e seguem na jornada de volta nesta terça-feira (07/04). A tripulação registrou vários feitos históricos, incluindo a quebra do recorde de distância da Terra já viajada por um ser humano, de acordo com a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa).

A Artemis 2 alcançou na segunda-feira (06/04) a esfera gravitacional da Lua, fazendo com que a cápsula Orion fosse mais fortemente afetada pela gravidade lunar do que pela da Terra.

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Depois, cruzou a marca de cerca de 400.171 quilômetros, estabelecida pela missão Apollo 13 de 1970. Além disso, os astronautas realizaram diversas observações celestes, incluindo de crateras lunares pouco conhecidas.

Com os olhos colados às janelas da espaçonave por quase sete horas, a equipe de quatro pessoas obteve uma visão inédita do lado oculto da Lua. “Os seres humanos provavelmente não evoluíram para ver o que estamos vendo. É realmente difícil de descrever. É incrível,” disse o astronauta Victor Glover.

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Frutos para a ciência

A tripulação relatou em detalhes vívidos características da superfície lunar e, mais tarde, testemunhou um eclipse solar, quando a Lua passou à frente do Sol. Eles também descreveram flashes de luz — impactos de meteoros — na superfície da Lua.

Os cientistas esperam que os feitos abram novos caminhos de pesquisa. A observação poderá ajudá-los a compreender como a Lua e o sistema solar se formaram, por exemplo como crateras, antigos fluxos de lava, além de fendas e cristas foram geradas à medida que a camada externa da Lua se deslocava lentamente ao longo do tempo.

Missão Artemis 2 teve primeira mulher e primeiro homem negro em viagem à órbita da Lua
NASA/Handout/AFP

O olho humano consegue perceber mudanças sutis de cor, textura e outras características da superfície que podem escapar às câmaras e a outras tecnologias. A Bacia Oriental foi um dos principais objetos de estudo, uma cratera de impacto com 930 quilômetros de largura no hemisfério sul da Lua.

A cápsula Orion agora segue de volta à Terra em uma chamada “trajetória de retorno livre”, viagem que deve durar cerca de quatro dias.

Perda de contato

A nave tripulada Orion passou cerca de 40 minutos em silêncio total na segunda-feira. Este tipo de interrupção é característico das missões que passam por detrás da Lua. A última delas foi a Apollo 17 em 1972, segundo a Nasa.

Por ser uma massa sólida de rocha e regolito com quase 3,5 mil quilómetros de diâmetro, a Lua impediu a passagem das ondas de rádio que mantêm a comunicação entre a Nasa e a Orion.

A interação entre a Nasa e a tripulação ocorre através da Rede Espacial Profunda (DSN, na sigla em inglês) e também da Rede Espacial Próxima (NSN), o sistema principal quando os astronautas estão longe da Terra.

Esta última funciona graças a três complexos de antenas gigantes localizados na Califórnia, Madrid e Camberra, o que permite uma ligação permanente sem interrupções devido à rotação da Terra.

O período de apagão era esperado, mas ainda assim marcante: eles foram as primeiras pessoas em mais de 50 anos a perder contato com o restante da humanidade.

“É tão bom ouvir a Terra novamente”, disse a astronauta Christina Koch, quando a tripulação retomou a conexão com o planeta natal. “Nós sempre escolheremos a Terra.”

Homenagem à esposa do comandante

Logo após quebrar o recorde de distância, a tripulação propôs a designação de duas crateras anteriormente sem nome. A primeira, eles solicitaram que fosse nomeada em homenagem ao apelido da espaçonave, Integrity (“integridade” em inglês).

Eles ofereceram um segundo nome, “Carroll”, para outra cratera, pedindo que ela fosse batizada em homenagem à esposa do comandante da missão, Reid Wiseman, que morreu de câncer.

“É um ponto luminoso na Lua”, disse Hansen, com a voz embargada pela emoção. “E gostaríamos de chamá-lo de Carroll.”

Os astronautas se abraçaram, e o controle da missão em Houston fez um momento de silêncio. A Nasa afirmou que irá submeter formalmente as propostas de nome à União Astronômica Internacional, o órgão responsável por nomear corpos celestes e características de suas superfícies.

O astronauta canadense Jeremy Hansen disse que a missão também tinha como objetivo homenagear os antecessores da tripulação em voos espaciais tripulados.