Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

O governo australiano pretende revisar sua legislação sobre armas de fogo conforme anunciado nesta segunda-feira (15/12). A medida ocorre um dia após o atentado terrorista que matou ao menos 15 pessoas e deixou mais de 40 feridos durante uma celebração judaica de Chanucá, na praia de Bondi, em Sydney.

O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese convocou uma reunião com os governadores dos estados para debater as mudanças nas regras de concessão e controle de licenças. Entre as medidas propostas constam o reforço das checagens de antecedentes, a restrição ao acesso a determinados tipos de armamentos e a limitação do número de armas que cada indivíduo pode possuir.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

O governo australiano também pretende impedir que pessoas sem cidadania australiana obtenham licença para porte de armas. É o caso de um dos envolvidos no atentado: Akram, de 50 anos, que embora vivesse legalmente no país, não possuía cidadania.

Segundo o premiê Albanese, o caso evidencia a necessidade de revisar critérios que hoje se baseiam quase exclusivamente em antecedentes criminais formais. “As pessoas mudam, podem se radicalizar ao longo do tempo. Licenças não devem ser tratadas como autorizações permanentes”, afirmou.

Mais lidas

Austrália discute restrições a armas após ataque antissemita em Sydney
Anthony Albanese/X

Ele mencionou a possibilidade de acelerar a implementação de um Registro Nacional de Armas de Fogo, além de rever categorias de licenças.

Segundo The Guardian, o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, defendeu que informações de inteligência criminal — e não apenas condenações judiciais — possam ser usadas para negar pedidos de porte. “Se o comissário de polícia tiver preocupações fundamentadas sobre uma pessoa, mesmo sem antecedentes criminais, ela não deveria ter acesso a uma arma”, afirmou.

Já a alemã DW informa que a legislação australiana contra o uso de armas de fogo é considerada uma das mais restritivas do mundo desde 1996, quando ocorreu o massacre de Port Arthur, na Tasmânia, matando 35 pessoas. Com a restrição, houve uma queda expressiva nos homicídios cometidos com armas e, entre julho de 2023 e julho de 2024, houve apenas 31 assassinados por armas de fogo no país.

Ataque antissemita

O ataque ocorreu no domingo (14/12), quando Akram e seu filho, Naveed Akram, de 24 anos, abriram fogo contra uma multidão estimada em mais de mil pessoas reunidas para a festividade judaica na praia de Bondi, chamado Chanukah by the Sea.

“Este ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney”, afirmou o governador do estado, Chris Minns. O massacre foi declarado um ataque terrorista pelas autoridades devido ao evento visado e às armas utilizadas.

Segundo a polícia de Nova Gales do Sul todas as armas utilizadas no atentado — fuzis de caça e ao menos uma escopeta, todas de cano longo — estavam registradas legalmente em nome do pai.

A Polícia Federal Australiana declarou que, até o momento, não há evidências de envolvimento de outros suspeitos, salientando que “essa avaliação pode mudar à medida que novas informações forem analisadas”.

O pai foi morto durante a ação policial e o filho segue hospitalizado em estado grave. Ambos viajaram recentemente às Filipinas, entre 1º e 28 de novembro, conforme informação do Departamento de Imigração de Manila.

Líderes muçulmanos em Sydney declararam nesta segunda-feira (15/12) que não realizarão o velório de Akram, informa o jornal britânico Daily Mail.