Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Os cidadãos sul-coreanos enfrentaram um calor histórico com as maiores temperaturas oficialmente já registradas em todo o país nesta segunda-feira (03/08), sendo Yangsan, na região sudeste, a cidade que se consolidou como a mais quente: os termômetros chegaram a marcar 42,5°C, de acordo com a Administração Meteorológica da Coreia (KMA, na sigla em inglês). Trata-se da maior temperatura a nível nacional desde que o órgão meteorológico começou a fazer os registros, em 1904.

Em junho deste ano, o governo da Coreia do Sul introduziu uma nova categoria de alerta à população civil. As chamadas “ondas de calor emergenciais”, que fazem parte de um mecanismo coordenado pelo Ministério do Interior e Segurança, são disparadas em forma de SMS aos cidadãos em áreas que correm risco de ultrapassar os 38ºC.

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De acordo com as autoridades sul-coreanas, uma intensa onda de calor que atinge a Península Coreana se desloca em direção à capital Seul, que deve enfrentar temperaturas ainda mais elevadas nos próximos dias. A expectativa é de que, na terça-feira (04/08), os cidadãos que residem especificamente em Seul, Osan, Hanam, Yeoju, Jangseong e Gokseong recebam, pela primeira vez, o alerta máximo do governo.

“Uma onda de calor é esperada esta noite. Por favor, fique atento quanto ao cuidado de sua saúde, mantendo-se em uma temperatura interna adequada e se certificando de se manter bem hidratado antes de dormir. Também se certifiquem dos idosos. [Governo Metropolitano de Seul]” – esta foi uma das mensagens recebidas pela reportagem de Opera Mundi.

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“Sempre morei em Seul, mas nunca senti um calor desta dimensão. Normalmente os nossos verões costumam ser bem quentes, tanto é que você pode ver que nas ruas há parques aquáticos improvisados para que as famílias e as crianças possam se refrescar. Isso não é uma novidade. Só que desta vez, o calor passou dos limites”, disse a funcionária pública Lee Shin Hye, de 30 anos.

Os parques aquáticos mencionados por Lee são instalações que têm como público-alvo as crianças e consistem em pequenas piscinas e brinquedos aquáticos, sendo estes espalhados em pontos estratégicos da cidade, como por exemplo em Gwanghwamun, centro histórico e cultural de Seul.

Parque aquático instalado em Gwanghwamun, centro de Seul
Divulgação/Opera Mundi

O calor extremo também leva os sul-coreanos a optarem por outras alternativas de lazer, como as praias. Contudo, as autoridades têm verificado um aumento no número de “acidentes relacionados à água”, pedindo para que a população se atente ao mergulhar, não beba ao banhar no mar e tente, na medida do possível, usar coletes salva-vidas.

Na tela de celular printada, SMS disparado pelo governo alerta sobre aumento de acidentes relacionados à água
Divulgação/Opera Mundi

Seul também está pulverizando água em 1.982 quilômetros de estradas, por meio de 205 caminhões pipa, com o objetivo de amenizar o calor urbano. Os veículos chegam a circular em áreas de alto tráfego por até seis vezes por dia.

Nesta segunda-feira, o distrito de Guro na capital sul-coreana chegou a atingir 39ºC. 

“Até ontem eu não conseguia dormir direito por causa do barulho das cigarras. Mas hoje, parece que até os insetos acabaram morrendo por causa do calor. Nem mosquito mais tem nas ruas”, reclamou o auxiliar técnico Kim Ji Han, de 28 anos, que também apontou para a alta umidade do ar. “O clima está tão úmido que nem as toalhas que a gente deixa na varanda estão secando. Já faz três dias que as minhas estão penduradas na varanda… e nada”.

Em alguns lugares, onde as ondas de calor são mais intensas, as autoridades chegaram a ordenar para que as pessoas parem “imediatamente” todas as atividades ao ar livre. “Por favor, abstenha-se de trabalhos ou atividades ao ar livre, como agricultura. Atente-se à sua saúde seguindo as diretrizes de segurança (água, sombra, descanso”, dizia uma mensagem disparada à população na cidade de Gimje.