Sexta-feira, 10 de julho de 2026
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O papa Leão 14 fez um discurso firme em defesa dos migrantes em Lampedusa neste sábado (04/07). Durante visita à ilha italiana, que se tornou símbolo das travessias mortais pelo Mediterrâneo, o pontífice afirmou que a Europa tem condições de acolher, proteger e integrar migrantes, em meio ao endurecimento das políticas migratórias da União Europeia.

Após vários gestos simbólicos, como a visita de túmulos de migrantes no cemitério de Lampedusa, e a inauguração de um monumento em homenagem ao papa Francisco, Leão 14 celebrou uma missa em um campo esportivo da ilha diante de quatro mil pessoas. Em sua homilia, o sumo pontífice lamentou o drama das migrações, em que tantos homens e mulheres perdem a vida no mar.

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Ele ressaltou, sobretudo, que todos têm responsabilidades. “Os mortos deste mar são vítimas tanto das decisões que foram tomadas quanto das que não foram. O desinteresse pelo bem comum, a corrupção nos países de origem, um sistema econômico mundial que gera pobreza e exclusão, e o medo, que alimenta os preconceitos e o desprezo”, disse o papa.

Seguindo os passos de seu antecessor, que escolheu Lampedusa em 2013 para sua primeira viagem, o sumo pontífice de 70 anos enviou uma mensagem clara aos líderes europeus e americanos, em um contexto de crescente intolerância e indiferença diante das crises migratórias. “A Europa está em condições (…) de abordar a crise de maneira orgânica, inserindo o socorro imediato em um plano estratégico de longo prazo, capaz de acolher, proteger, promover e integrar os migrantes, ao mesmo tempo em que trabalha pelo desenvolvimento, para que ninguém seja obrigado a emigrar”, declarou o religioso americano em sua homilia.

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O discurso alegrou Claudia, moradora da ilha há 20 anos. “O que eu retenho [de suas palavras] é que ele acolhe todo mundo. Ainda ontem tivemos um desembarque… Mas Lampedusa acolhe qualquer pessoa, da forma mais humilde possível”, disse a moradora.

Antes da celebração, o papa Leão 14 visitou a “Porta da Europa”, monumento simbólico voltado para o Mediterrâneo que representa o acolhimento de migrantes que chegaram pelo mar. O sumo pontífice estava acompanhado de Rita Liasso, natural da Costa do Marfim, que chegou grávida a Lampedusa em 2021, e de seu marido, Marc Foa. “É uma graça excepcional. Isso nos conforta e nos dá energia e vitalidade”, disse a família.

Na ilha, Leão 14 também lamentou que uma “cultura do acolhimento” esteja, por vezes, ameaçada por uma indústria turística em plena expansão e indiferente a esses dramas humanos. “Parece que é preciso erguer um muro invisível entre o mar dos náufragos e o mar dos turistas. Tenham a ousadia de pensar de outra forma”, declarou o papa.

O papa Leão 14 fez um discurso firme em defesa dos migrantes em Lampedusa neste sábado (04/07)
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Lampedusa: símbolo da crise migratória na Europa

A visita a esta ilha de 20 km², situada entre a Tunísia e Malta, ocorre algumas semanas após a adoção, pela União Europeia (UE), de novas medidas migratórias que preveem, entre outros pontos, maior recurso à detenção e a criação de centros de retenção fora das fronteiras da UE. Localizada a apenas 145 quilômetros da costa tunisiana, Lampedusa, que tem cerca de 6 mil habitantes, tornou-se, apesar de suas praias de areia fina, um dos principais símbolos da crise migratória na Europa.

A ilha semiárida de Lampedusa é o segundo destino migratório europeu visitado por Leão 14, após ter passado pelas Ilhas Canárias, onde também denunciou o tráfico de seres humanos. Como em sua visita ao arquipélago espanhol no mês passado, Leão 14 tornou a defesa dos migrantes um tema recorrente de seu pontificado, agradecendo aos que ajudam os mais necessitados e denunciando as expulsões em massa nos Estados Unidos.