Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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O fóssil do Tarbosaurus bataar – um primo do famoso Tiranossauro – havia sido extraído ilegalmente do deserto de Gobi. Com cerca de 70 milhões de anos, ele foi entregue às autoridades da Mongólia nesta segunda-feira (08/12), junto com cerca de trinta outras peças paleontológicas, incluindo ovos de dinossauro. Todos os fósseis haviam sido apreendidos em 2015 pelos agentes alfandegários do Havre, no norte da França.

Um crânio imenso e uma pata com três dedos fazem parte desse espécime de dinossauro, entre os maiores carnívoros terrestres, podendo chegar a até 13 metros de comprimento. Em entrevista à rádio France Info, o paleontólogo e professor do Museu Nacional de História Natural, Ronan Allain, explicou que esses fósseis “vinham para a França provavelmente para serem preparados e montados”. 

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“Há uma parte do esqueleto que ainda estava em sua carcaça de gesso, feita no campo para poder retirar os espécimes sem quebrá-los”, disse.

Na época da apreensão, o valor indicativo do esqueleto girava em torno de € 700 mil, mas nos dias atuais, ele deve valer muito mais. “Esses espécimes, uma vez preparados, ou seja, liberados, limpos, montados e com o esqueleto remontado, podem ter seu valor multiplicado por três ou quatro”, disse o paleontólogo. Alguns esqueletos podem ser vendidos por vários milhões de euros.

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Contrabando

A alfândega apreendeu, nas instalações de uma empresa francesa, nove caixas que continham também ovos da ave pré-histórica Oviraptor, encontrados quase intactos. O tesouro paleontológico é composto, em sua totalidade, de falanges, metacarpos, dentes, além de vértebras, fêmures e garras, bem como de outros dois esqueletos completos.

“Estou realmente orgulhosa e agradecida a todas as pessoas que contribuíram para combater esse tráfico ilegal. É muito importante ver retornarem ao nosso país esses fósseis de dinossauros, é nosso patrimônio cultural”, destacou à AFP Undram Chinbat, ministra da Cultura, dos Esportes, do Turismo e da Juventude da Mongólia, que veio recuperar o material.

As peças retornarão à Mongólia antes do fim do ano para serem expostas no “Museu de Ciências Naturais que abrirá no próximo ano”, informou a ministra.

Há um século, a Mongólia é vítima de saques de seus tesouros paleontológicos, que se tornaram, nos últimos anos, objetos de cobiça para colecionadores particulares, alimentando redes de tráfico ilegal. O Tarbosaurus retorna, portanto, ao seu lugar de origem, onde poderá ser estudado pelos cientistas.

A França conseguiu recuperar o tesouro restituído nesta segunda-feira, que havia transitado pela Coreia do Sul, após longos meses de investigação conduzida pelo serviço de inteligência da Alfândega (DNRED) e pelo Agência Nacional Anti-Fraude (ONAF, na sigla em francês).

O fóssil do Tarbosaurus bataar – um primo do famoso Tiranossauro – havia sido extraído ilegalmente do deserto de Gobi
Wikimedia Commons/Michael Johnson

Museu de fósseis

As buscas permitiram descobrir uma empresa sediada no centro da França, “o equivalente a um museu de fósseis, com peças provenientes não apenas da Mongólia, mas também do Brasil, Madagascar, China, Líbano, Itália e Turquia. Havia até peças que vinham do Museu Nacional de História Natural” francês, contou um investigador do ONAF à AFP.

Segundo ele, foi identificada uma rede de contrabando internacional de fósseis, “com mandantes no exterior e intermediários que revendiam os espécimes preparados pela empresa na França a pessoas muito ricas”.

Quanto aos bens restituídos nesta segunda-feira à Mongólia, “o mandante é de origem alemã”.

Sébastien Tiran, diretor da DNRED, destacou à AFP que nesse tráfico “há um pouco de todos os perfis”. Mas “muitas pessoas são devoradas pela paixão e acabam se deixando levar, praticando atividades de saque ou contribuindo ao comprar fora dos circuitos legais”.

Em 2024, os serviços alfandegários realizaram 60 constatações que resultaram na apreensão de 22.125 bens culturais, entre os quais 104 fósseis.

Calcula-se que dois a três esqueletos de dinossauros sejam vendidos a cada ano, segundo a alfândega, como o T-Rex leiloado nos Estados Unidos em 2020 por quase US$ 32 milhões.