Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O Supremo Tribunal da Índia ordenou nesta segunda-feira (11/08) a remoção de 5 mil cães abandonados das ruas da capital, Nova Délhi, em um contexto de aumento nos casos de ataques com mordidas.

A decisão instruiu as autoridades a capturar os animais de “áreas de alto risco” num prazo de seis a oito semanas, e que eles sejam esterilizados e realocados em abrigos.

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A ordem foi emitida após a divulgação de registros hospitalares apontando quase 2 mil incidentes de mordidas de cães por dia na capital indiana.

Número de animais de rua é incerto

Não está claro como o tribunal chegou ao número de 5 mil cães de rua, já que ninguém sabe ao certo quantos cães vagam pelas ruas de Nova Délhi.

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Os dados mais recentes, de 2013, registravam pelo menos 60 mil, mas diversas estimativas colocam o número de cães abandonados na capital indiana entre 500 mil e um milhão.

Segundo uma pesquisa realizada pela Mars Petcare, a Índia tem 52,5 milhões de cães de rua, enquanto 8 milhões de cães abandonados se encontram em abrigos.

Embora muitos dos cães que vagam pela cidade sejam inofensivos, o tribunal qualificou o número de incidentes com mordidas de cães como “extremamente preocupante”.

“Bebês e crianças pequenas não devem, sob hipótese alguma, ser vítimas de cães de rua”, afirmou a corte.

Índia registra mais de um terço das mortes globais por raiva
Nasir Kachroo/NurPhoto/picture alliance

O tribunal também ordenou a criação de uma linha de atendimento 24 horas para reportar casos de mordidas de cães e orientou as autoridades a divulgarem os locais onde as vacinas antirrábicas estão disponíveis.

Críticas de conservacionistas

A Índia responde por mais de um terço das mortes globais por raiva, segundo informações da Organização Mundial da Saúde. Se não for tratado, o vírus, que invade o sistema nervoso central de pessoas mordidas por um animal infectado, é quase sempre fatal.

A decisão do tribunal gerou críticas de conservacionistas quanto à sua implementação.

“Onde estão os abrigos para abrigar milhares de cães?”, questionou o biólogo conservacionista Bahar Dutt em uma publicação no X, chamando a ordem do tribunal superior de “uma medida impraticável e anticientífica”.

“Acreditamos respeitosamente que o foco deve ser em soluções humanitárias para cães de rua em Délhi – vacinação e esterilização em massa – em vez de remoção”, escreveu nas redes sociais Vidit Sharma, fundador da organização de bem-estar animal Save A Stray.

O tribunal alertou os ativistas dos direitos dos animais para não obstruírem o processo.

Já Kapil Mishra, ministro do governo indiano, saudou a ordem e disse que ela representava um passo na libertação de Nova Délhi “do medo da raiva e de animais de rua”.

“Atenção especial também será dada ao bem-estar integral dos animais abandonados”, acrescentou em uma publicação nas redes sociais.

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