Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Líderes muçulmanos em Sydney, na Austrália, declararam nesta segunda-feira (15/12) que não realizarão o velório de Sajid Akram, um dos atiradores responsáveis pelo ataque contra um evento judaico na praia de Bondi, segundo o jornal britânico Daily Mail.

Após o ataque Akram, de 50 anos, foi baleado e morto pelas autoridades. Contudo, Dr. Jamal Rifi, líder islâmico na capital australiana, disse que sua comunidade religiosa não considera Akram e o outor atirador, seu filho, Naveed Akram, de 24 anos, como muçulmanos.

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“O que eles fizeram não é tolerado por nenhum de nós e consiste na morte de civis inocentes. Sabemos que isso está escrito em nosso livro [Alcorão]: matar um civil inocente é o mesmo que matar toda a humanidade”, declarou ele.

Assim, a comunidade muçulmana da Austrália rejeitou o recebimento do corpo de Sajid e disse que não realizará um velório. Já Naveed permanece hospitalizado sob custódia policial após ter sido baleado por policiais que responderam ao ataque.

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Segundo Rifi, a comunidade muçulmana reagiu da mesma forma após um homem fazer 18 reféns em Sydney, em 2014. “Quando o agressor morreu, nos perguntaram se deveríamos receber o corpo dele, mas recusamos. Abstivemo-nos de realizar os rituais fúnebres e nos recusaríamos a aceitá-lo em qualquer seção muçulmana do cemitério de Rookwood [um dos maiores da capital australiana. E faríamos exatamente o mesmo com essas pessoas”, declarou, citado pelo Daily News.

Segundo o periódico, o Conselho Nacional de Imãs da Austrália também condenou o ataque. “Nossos corações, pensamentos e orações estão com as vítimas, suas famílias e todos aqueles que testemunharam ou foram afetados por este ataque profundamente traumático”, declarou.

“Este é um momento para todos os australianos, incluindo a comunidade muçulmana australiana, se unirem em solidariedade, compaixão e união”, finalizou a organização.

Naveed Ákram permanece hospitalizado sob custódia policial após ter sido baleado que responderam ao ataque
RS/Fotos Públicas

Islamofobia após ataque

Após o ataque ocorrido no último domingo (14/12), o Daily Mail também registrou que diversas cabeças de porcos foram colocadas em túmulos muçulmanos em um cemitério a oeste de Sydney.

Ahmad Hraichie, empresário muçulmano do ramo funerário, classificou o ato no cemitério de Narellan, em Camden, como “insensato e odioso”.

“Para quem fez isso: você demonstrou nada além de ódio. Você não é a solução para nenhum problema; você faz parte do problema”, declarou Hraichie. “Isso é pura estupidez . Não resolve nada. Só alimenta a raiva, a dor e a divisão. Não precisamos de mais pessoas enfurecidas e inflamadas por ações covardes como essa”, enfatizou.

Hraichie enfatizou que os túmulos profanados não têm relação com os eventos atuais: “essas pessoas nessas sepulturas já estavam mortas muito antes do que aconteceu ontem. Elas não têm nada a ver com os acontecimentos atuais”.

O responsável ainda reiterou que esses são “lugares de descanso, dignidade e respeito para todas as religiões e para toda a humanidade”.

“Se você quer paz, este não é o caminho. Se você quer justiça, este não é o caminho. Você só está demonstrando falta de humanidade”, declarou ao periódico britânico.

Ataque em Bondi deixou 15 mortos

Os atiradores deflagraram um ataque de pelo menos 50 tiros foram durante uma celebração judaica em Bondi, uma praia de Sydney, provocando a morte de ao menos 15 pessoas.

Testemunhas relataram que dois homens vestidos de preto saíram de um veículo na Campbell Parade, próximo ao Bondi Pavilion, por volta das 18h40 (horário local), e abriram fogo contra a multidão.

De acordo com a imprensa australiana, os criminosos portavam fuzis semiautomáticos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram cápsulas de balas espalhadas pelo chão e uma espingarda de ação por bombeamento abandonada na praia.

Pelo menos 50 tiros foram disparados contra famílias reunidas na praia em um dos piores massacres antissemitas fora de Israel. O pai foi baleado e morto pelas autoridades, enquanto o filho foi desarmado por um civil e se encontra em estado crítico.

(*) Com RT en español