Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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Mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024, sendo o menor nível já registrado desde 2012, segundo o levantamento Síntese de Indicadores Sociais, divulgado nesta quarta-feira (03/12).

No ano de 2024, o Brasil tinha 48,9 milhões de pessoas que viviam com menos de US$ 6,85 (R$35) por dia, o limite que o Banco Mundial define como linha da pobreza.

O desempenho socioeconômico fez a proporção da população na pobreza cair de 27,3% em 2023 (57,6 milhões de brasileiros) para 23,1% no ano de 2024. Os indicadores mostram, assim, o terceiro ano seguido com redução no número e na proporção de pobres, marcando uma recuperação pós-pandemia de covid-19.

Em 2012, a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza era de 34,7% (68,4 milhões). Em 2019, o último ano antes da pandemia, chegou a 32,6% (67,5 milhões). No primeiro ano da pandemia (2020) foi reduzida a 31,1% (64,7 milhões) e chegou ao ponto mais alto da série em 2021, com 36,8% (77 milhões). Desde então, apresentou anos de queda, indo de 31,6% em 2022 (66,4 milhões), para 23,1% (48,9 milhões) no ano passado.

Trabalho e transferência de renda

O pesquisador do IBGE André Geraldo de Moraes Simões, responsável pelo estudo, explica que em 2020, ano de eclosão da pandemia, a pobreza chegou a ser reduzida por causa dos programas assistenciais emergenciais, como o Auxílio Emergencial, pago pelo governo federal.

“Esses benefícios voltaram em abril de 2021, mas com valores menores e restrição de acesso pelo público, e o mercado de trabalho ainda estava fragilizado, então a pobreza subiu”, afirma.

Simões acrescenta que, a partir de 2022, o mercado de trabalho voltou a aquecer, acompanhado por programas assistenciais com valores maiores, fatores que permitiram o avanço socioeconômico.

“Tanto o mercado de trabalho aquecido, quanto os benefícios de transferência de renda, principalmente o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que ganharam maiores valores e ampliaram o grupo da população que recebia”, assinala.

No segundo semestre de 2022, o programa Auxílio Brasil passou a pagar R$ 600. Em 2023, o programa foi rebatizado de Bolsa Família.

Pobreza foi redizida por causa dos programas assistenciais emergenciais, como o Bolsa Família
Senado Federal/Wikicommons

Menor Gini desde 2012

A Síntese de Indicadores Sociais também atualizou o chamado Índice de Gini, que avalia a desigualdade de renda. O índice vai de 0 a 1 — quanto maior, pior a desigualdade.

Em 2024, o Índice de Gini atingiu 0,504, o menor valor da série iniciada em 2012. Em 2023, era 0,517.

Para medir o impacto de programas sociais na redução da desigualdade, o IBGE apresentou um cálculo do Gini caso não houvesse essa política assistencial.

O estudo constatou que o indicador seria 0,542 se não existissem programas de transferência de renda, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC – um salário mínimo por mês ao idoso com idade igual ou superior a 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade).

Outro exercício hipotético realizado pelos pesquisadores foi sobre a condição de pessoas com 60 anos ou mais se não houvesse benefícios previdenciários . A extrema pobreza entre os idosos passaria de 1,9% para 35,4%, projeta o instituto. Já a pobreza subiria de 8,3% para 52,3%.

Extrema pobreza

Além da redução da pobreza e do Índice de Gini, no último ano, o Brasil também vivenciou redução da extrema pobreza, pessoas que viviam com renda de até US$ 2,15 por dia, cerca de R$ 218 mensais em valores corrigidos para o ano passado.

De 2023 para 2024, esse contingente passou de 9,3 milhões para 7,4 milhões, ou seja, 1,9 milhões de pessoas deixaram a condição. Essa evolução fez com que a proporção da população na extrema pobreza recuasse de 4,4% para 3,5%, a menor já registrada.

Em 2012, quando começou a série histórica, eram 6,6%. Em 2021, o patamar alcançou 9% (18,9 milhões de pessoas).

Apesar dos avanços, os números do IBGE deixam clara a desigualdade regional. Tanto a pobreza quanto a extrema pobreza no Norte (35,9% e 4,6%, respectivamente) e Nordeste (39,4% e 6,5%, respectivamente) superam a taxa nacional.

Outra desigualdade demonstrada é a racial. Na população branca, em 2024, 15,1% eram pobres, enquanto 2,2% estavam na extrema pobreza.

Entre os pretos, a pobreza chegava a 25,8%, e a extrema pobreza a 3,9%. Na população parda, as parcelas eram 29,8% e 4,5%, respectivamente.

(*) Com Agência Brasil