Fernando Carvall

Tina Modotti: uma vida de fotos e aventuras

Tina Modotti, a carta do baralho Super-Revolucionários de hoje, é atualmente reconhecida por sua fotografia e por sua militância comunista

"Tina Modotti, irmã, não durmas, não, não durmas:

talvez teu coração ouça crescer a rosa

 de ontem, a última rosa de ontem, a nova rosa" 

(Pablo Neruda)

Nascida na Itália, operária da indústria têxtil aos 12 anos, Tina Modotti (1896-1942) migrou com a família primeiro para os Estados Unidos, onde foi atriz, e depois para o México.

No México, aproximou-se de artistas como Frida Kahlo, José Clemente Orozco e Diego Rivera, cuja produção de murais ela documentou. Depois de se juntar à Cruz Vermelha Internacional, em 1925, Modotti aproximou-se do Partido Comunista, iniciando uma vida de aventuras e militância internacional.

Sua vida de mulher independente, tanto política quanto sentimental, muitas vezes escandalizou a sociedade mexicana.

Em 1928, envolveu-se num episódio obscuro, o assassinato de seu então companheiro cubano Julio Antonio Mella, uma trama mal explicada. Mella era próximo das frações trotskistas quando foi morto (Modotti estava com ele e, segundo algumas versões, também com o comunista italiano Vittorio Vidali, um notório agente stalinista). Mas a morte de Mella interessava também à ditadura cubana, não tendo sido provado o envolvimento de Modotti.

Depois disso, Modotti envolveu-se em diversas ações antifascistas na Europa (em especial na Guerra Civil espanhola) e no México, morrendo aos 45 anos, depois de um jantar com o poeta chileno Pablo Neruda. Houve novas especulações sobre sua morte (Rivera acreditava que ela "saberia demais" sobre as atividades de Vidalli), mas a autopsia indicou uma insuficiência cardíaca.

Modotti é mais uma carta do projeto Super-Revolucionários, publicado por Opera Mundi e pelo blog Nocaute. Nossos cards já incluem Leon Trotsky, Olga Benario, Karl Marx, Salvador Allende, Carlos Marighella e Rosa Luxemburgo.

Numa análise séria, mas sem perder o humor jamais, atribuímos "notas" à atuação desses grandes nomes da contestação.

A ideia é, depois de alcançarmos um número suficiente de cartas, montar um jogo inspirado no conhecido Super Trunfo e publicar um livro com os cards e informações sobre esses super-revolucionários.

As notas são provisórias e estão sujeitas a modificação.

REBELDIA: 7

Tina Modotti (1896-1942), italiana de nascimento, filiou-se ao Partido Comunista quando vivia no México, no final dos anos 1920. Escandalizou a sociedade mexicana com sua independência e morreu, em 1942, vítima de um ataque cardíaco. 

DISCIPLINA: 9

Em diferentes países, Tina cumpriu tarefas ligadas ao Partido Comunista, num período de luta contra diferentes forças reacionárias e fascistas. 

TEORIA: 4

Engajada em diferentes batalhas, Tina foi mais militante que pensadora. Mulher livre, enfrentou o machismo e deu exemplos em vida que influenciaram homens e mulheres de seu tempo.

POLÍTICA: 5

As ligações internacionais de Modotti fizeram dela uma personagem da luta antifascista em diferentes países da América e da Europa. Mas envolveu-se, igualmente, na perseguição aos comunistas ligados a Trotsky, sendo acusada (mas não condenada) pelo assassinato de seu companheiro Julio Antonio Mella, em associação com o comunista-stalinista italiano Vittorio Vidali.

COMBATIVIDADE: 7

Como fotógrafa, Tina denunciou a exploração das mulheres e crianças mexicanas. Também apoiou a luta sandinista nicaraguense, atuou na Guerra Civil Espanhola e na resistência antifascista italiana. 

INFLUÊNCIA: 6

Modotti foi uma fotógrafa que, com as imagens que produziu, deixou um relevante legado estético, de recorte social. 


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Mãos de trabalhador (Tina Modoti, 1926)








 









Fernando Carvall
Tina Modotti (1896-1942), a carta do baralho Super-Revolucionários de hoje, é atualmente reconhecida por sua fotografia e por sua militância

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