Mandela: contra o apartheid, um herói da humanidade

'Defendi e prezo a ideia de uma sociedade democrática e livre, em que todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais (...). Se preciso for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer'

Nelson Mandela (1918-2013) optou pela vida política aos 23 anos, quando deixou uma pequena aldeia no interior da África do Sul para viver em Johanesburgo, capital do país. Tornou-se rapidamente advogado e líder da resistência não violenta da juventude.

Num país negro dominado por colonizadores brancos, Mandela foi acusado de traição. Optou pela clandestinidade, sendo preso em 1962, com a ajuda da CIA. Em 1964, foi condenado, com outros companheiros, à prisão perpétua. Durante o julgamento, pronunciou um discurso histórico, que ficou conhecido por seu final: "Estou preparado para morrer".

A prisão não apagou a figura carismática e a resistência. Mandela preso virou símbolo da luta contra o regime racista do apartheid, oficializado em 1948 na África do Sul. Sua liberdade, em 1990, abriu o caminho para o fim negociado da ditadura branca de Frederik de Klerk e para que o seu partido, o Congresso Nacional Africano, assumisse em 1994, com sua eleição para presidente, a hegemonia que mantém até hoje. Mandela e Klerk foram, pelo processo de negociação, agraciados com o Nobel da Paz.

Mandela é mais um Super-Revolucionário da série de cards que os sites Opera Mundi e Nocaute estão publicando. O projeto já conta com as cartas de Mao Zedong, Simone de Beauvoir, Ho Chi Minh, Leon Trotsky, Olga Benario, Karl Marx, Salvador Allende, Tina Modotti, Carlos Marighella e Rosa Luxemburgo.

A ideia é, depois de alcançarmos um número suficiente de cartas, montar um jogo inspirado no conhecido Super-Trunfo e publicar um livro com os cards e informações sobre esses super-revolucionários.

Numa análise séria, mas sem perder o humor jamais, atribuímos "notas" à atuação de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à contestação e à revolução.

As notas são provisórias e estão sujeitas a modificação.

REBELDIA 8

Depois que se mudou para a capital da África do Sul, aos 23 anos, Mandela tornou-se rapidamente uma liderança da juventude do Congresso Nacional Africano. Em 1944, fundam a Liga Juvenil do CNA e tenciona a linha conciliadora do partido, lançando o manifesto "Um homem, um voto".

DISCIPLINA 9

Mandela confrontou muitas vezes a posição do seu partido na juventude, pressionando-o por posições mais contundentes e defendendo a aliança com o Partido Comunista Sul-Africano, até hoje integrante do CNA. Nunca abandonou a agremiação. Em 1952, lança a campanha de resistência pacífica chamada Campanha de Desafio, em que os negros foram convidados a usarem os espaços reservados aos brancos - em banheiros, escritórios públicos, correios etc. Essa campanha levará Mandela a ser condenado pela primeira vez, com base na Lei de Repressão ao Comunismo.

TEORIA 7

Grande advogado e orador, tendo passado por fases mais moderadas e outras mais radicais, Mandela notabilizou-se pela capacidade de analisar praticamente as situações e, a partir delas, adotar linhas políticas diferentes para cada conjuntura.

POLÍTICA 10

A capacidade de Mandela de lidar com diferentes desafios ao longo da vida permitiu que ele assumisse posições distintas em situações distintas: o líder que levou o CNA a lançar um braço armado do partido em 1961 (o que o levaria aos 27 anos de prisão) foi o grande construtor da saída negociada do apartheid nos anos 1990, mantendo um enorme prestígio entre todas as posições que se abrigaram sob o guarda-chuva do CNA.

COMBATIVIDADE 9

Mandela tornou-se um símbolo de resistência e resiliência. Nunca abaixou a cabeça, arrependeu-se da luta ou esmoreceu, mesmo diante da morte, da prisão e da tortura de inúmeros companheiros. Também se envolveu ativamente na campanha contra a Aids, mesmo contra a resistência de sucessores na presidência que minimizavam o problema.

INFLUÊNCIA 10

Como se fosse pouco, a figura de Mandela transcendeu a luta contra o apartheid. Seu nome é uma referência mundial entre os que prezam a democracia e o desejo de um mundo mais igual e justo.

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