Marina Ginestà, a confiança rebelde

'Éramos jornalistas e nossa profissão era não deixar nunca a moral cair; difundíamos o lema de Juan Negrín: ‘com pão ou sem pão, resistir'

"Barcelona, 21 de julho de 1936. A miliciana Marina Ginestà  (1919-2014), membro da Juventude Comunista, posa no terraço do hotel Colón, onde se estabeleceu um escritório de alistamento de milicianos." Estas palavras foram registradas no verso da imagem icônica de Ginestà pelo fotógrafo comunista alemão Hans Gutmann, que chegara a Barcelona para cobrir a Olimpíada Popular e que passara a assinar, em espanhol, Juan Guzmán.

A foto se tornou um símbolo do otimismo republicano contra o fascismo espanhol, otimismo que não se confirmaria, desafortunadamente. Ginestà, com cabelos curtos e um fuzil no ombro, tinha apenas 17 anos e trabalhava como jornalista. Militante da Juventude Socialista Unificada, estampou em seu rosto a coragem e esperança de um triunfo progressista naquela que foi uma das mais sangrentas páginas da história europeia na véspera da Segunda Guerra Mundial.

Ginestà vinha de uma família de militantes e sua história combativa não se encerra na foto. Por essa razão, ela é a mais nova cara do baralho Super-Revolucionários, que Opera Mundi e Nocaute estão publicando em conjunto. Já foram publicadas cartas de Hugo Chávez, Rosa Parks, Vladmir Lênin, Clara Zetkin, Ernesto Che Guevara, Antonio Gramsci, Fidel Castro, Liudmila Pavlichenko, Luís Carlos Prestes, Frida Kahlo, Alexandra Kollontai, Bela Kun, Nelson Mandela, Mao Zedong, Simone de Beauvoir, Ho Chi Minh, Leon Trotsky, Olga Benario, Karl Marx, Salvador Allende, Tina Modotti, Carlos Marighella, Rosa Luxemburgo e Franz Fanon


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Com texto e concepção de Haroldo Ceravolo Sereza, e desenhos do artista plástico Fernando Carvall, essas cartas, numa análise séria, mas sem perder o humor jamais, atribuem "notas" à atuação desses grandes nomes da luta por um mundo mais justo e solidário.

A ideia é, depois de alcançarmos um número suficiente de cartas, montar um jogo inspirado no conhecido Super Trunfo e publicar um livro com os cards e informações sobre esses super-revolucionários.

As notas são provisórias e estão sujeitas a modificação.

REBELDIA 8

Marina Ginestà Coloma nasceu numa família rebelde em 1919, na cidade de Toulouse, na França. Era filha de operários com longa trajetória de militância e desde cedo seguiu pelo mesmo caminho. Empar Coloma Chalmeta, sua mãe, era de Valência, e Bruno Ginestà Manubens, seu pai, de Manresa. Sua avó, Micaela Chalmeta, militante socialista, foi também uma pioneira do feminismo e do cooperativismo na Catalunha. Seu avô Joan Coloma havia sido militante da seção catalão do PSOE. 

DISCIPLINA 7

Ginestà já militava intensamente antes do início da Guerra Civil Espanhola. Em fevereiro de 1936, aparece numa manifestação, junto com outros jovens militantes, entre eles Ramón Mercader, com quem teve um breve romance. O agente soviético, posteriormente, entraria tristemente para a história como assassino de Leon Trotsky. 

TEORIA 6

A trajetória intelectual e política de Ginestà foi marcada pela atuação como tradutora do francês e pela produção jornalística para o jornal Verdad, bem como sua colaboração para o correspondente do Pravda, Mikhail Kolstov. 

POLÍTICA 6

Ligada à fração stalinista durante a Guerra Civil, ela se afastaria depois da derrota para as forças franquistas. Em seu romance Els Precursors (Os precursores ou D’Autres Viendront, Outros Virão, em francês, de 1976), demonstrou toda sua empatia com os anarquistas revolucionários catalães dos anos 1920.

COMBATIVIDADE 8

Depois de lutar contra o franquismo, Ginestà passou um período na França e, sob a ameaça nazista, foi para o México e, em seguida, para a República Dominicana. Em 1946, teve novamente de deixar o país, perseguida pelo ditador Rafael Trujillo. 

INFLUÊNCIA 6

O engajamento otimista da juventude na Guerra Civil Espanhola ficou contrastado pela derrota, resultado em boa medida do fracionamento das forças e da hegemonia que se tornaria violenta e autodestrutiva do setor stalinista sobre as outras forças envolvidas na resistência, sobretudo os militante do POUM (de maioria trotskista) e anarquistas. A divisão da esquerda facilitou que as forças franquistas superassem o slogan "¡no pasarán!" e pudessem, tristemente, afirmar: "¡ya hemos pasao!", “já passamos”...


   


Hans Gutmann/Ajuntament de Barcelona
"Barcelona, 21 de julho de 1936. A miliciana Marina Ginestà (1919-2014), membro da Juventude Comunista, posa no terraço do hotel Colón"

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