Paulo Freire: a pedagogia da igualdade

'Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica'

Segundo levantamento de 2016 do Google Scholar, uma ferramenta de contabilização de informações de pesquisas acadêmicas, o livro Pedagogia do oprimido, do pedagogo Paulo Freire (1991-1997), era a terceira obra mais citada em trabalhos da área de humanas do mundo.

Paulo Freire era o único brasileiro nesta lista, que reunia os cem livros mais citados. Patrono da educação no Brasil, Paulo Freire repensou radicalmente a forma de os professores e alunos se pensarem dentro da sala de aula, reforçando a importância do conhecimento prévio dos educandos e rompendo com as barreiras hierárquicas que os distanciavam dos educadores.

Com Paulo Freire, o baralho Super-Revolucionários, que os sites Opera Mundi e Nocaute publicam em conjunto, ganha mais uma carta. Já foram publicadas as cartas de Florestan Fernandes, Pagu, Hugo Chávez, Rosa Parks, Vladimir Lênin, Clara Zetkin, Ernesto Che Guevara, Antonio Gramsci, Fidel Castro, Liudmila Pavlichenko, Luís Carlos Prestes, Frida Kahlo, Alexandra Kollontai, Bela Kun, Nelson Mandela, Mao Zedong, Simone de Beauvoir, Stálin, Marina Ginestà, Ho Chi Minh, Leon Trotsky, Olga Benario, Karl Marx, Salvador Allende, Tina Modotti, Carlos Marighella, Rosa Luxemburgo e Franz Fanon.


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Concebido por Haroldo Ceravolo Sereza, autor dos textos, e com desenho do artista plástico Fernando Carvall, as cartas do baralho Super-Revolucionários, numa análise séria, mas sem perder o humor jamais, atribuem "notas" à atuação desses grandes nomes da luta por um mundo mais justo e solidário.

Em 2020 ainda, alcançaremos um número suficiente de cartas para montar um jogo inspirado no conhecido Super Trunfo e publicar um livro com os cards e informações sobre esses heróis da resistência e da transformação.

As notas são provisórias e estão sujeitas a modificação.

REBELDIA 6

Quando a necessidade de alfabetizar adultos num breve período de 40 dias fez Paulo Freire pensar em seu método, o problema impôs pensar numa metodologia radical. O objetivo não era em si radical ou o que poderíamos chamar de rebelde, mas o contato com os participantes, o conhecimento de suas trajetórias de vida e de suas comunidades fez Freire elaborar uma abordagem totalmente diferente da tradicional, que levou seus educandos a ir além da decodificação dos códigos linguísticos – ou seja, não aprenderam apenas a ler e escrever, a mas fazer um uso social e político desse conhecimento. 

DISCIPLINA 8

A convite do presidente João Goulart, Freire elaborou um projeto de alfabetização de âmbito nacional, que previa em 1964 a instalação de 20 mil círculos de alfabetização, que deveriam alcançar 2 milhões de pessoas. O golpe militar impediu que esse projeto se instalasse, mas não que Paulo Freire continuasse pensando a educação de forma radical.

TEORIA 10

Em 1968, exilado no Chile, Paulo Freire concebeu sua obra mais difundida, Pedagogia do oprimido. Sua atuação em projetos de educação popular, num período de ascensão da esquerda chilente, levou Freire a construir uma detalhada análise das relações entre “colonizador” e “colonizado”, fortemente influenciada pela Fenomenologia do espírito de Hegel. Freire ataca o que chama de “concepção bancária", ou seja, o conteudismo, como instrumento da opressão. Contra a manipulação promovida pela cultura dominante, que freia a criatividade do oprimido, Freire propõe o diálogo como um canal de libertação da opressão imperante. 

POLÍTICA 7

Em 1989, Freire assumiu a pasta de secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Luiza Erundina, então no PT. Com o apoio de inúmeros educadores, promoveu uma mudança radical na educação no município, não apenas tornando-a uma prioridade, mas também transformando o dia a dia das escolas.

COMBATIVIDADE 7

Freire não foi exatamente um líder político. Seu combate se deu essencialmente na sua área de atuação. Em busca da libertação e da autonomia dos indivíduos, sua proposta de educação é odiada pelos setores mais reacionários e pela extrema-direita, porque eles percebem a potência transformadora de suas ideias.

INFLUÊNCIA 10

Pedagogia do oprimido e Pedagogia da autonomia são algumas das obras mais conhecidas de Paulo Freire e referências para educadores de todo o planeta. Mesmo as críticas à esquerda a suas ideias, que por vezes apontam algum idealismo no projeto, por considerar ser possível construir essa educação libertadora sem uma transformação prévia da sociedade, reconhecem a importância de sua teoria como instrumento de resistência e de reflexão. 


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