Sexta-feira, 15 de maio de 2026
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Um telefonema realizado esta semana trouxe esperança e ao mesmo tempo angústia à palestina Maha Abu Shaar, que sofre há 18 meses com o desaparecimento do seu filho, Eid Nael Abu Shaar.

No dia 15 de dezembro de 2024, o jovem Eid, então com 23 anos de idade, saiu de sua casa, em Netzarim, no centro da Faixa de Gaza, para buscar trabalho, segundo relato de sua mãe sobre a última vez que o viu com vida.

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Eid nunca mais voltou. À exceção de Maha, o resto da família passou a considerá-lo como uma das mais de 73 mil vítimas do genocídio cometido por Israel contra os palestinos residentes no encleve, segundo os registros oficiais – há estudos indicando que pode haver centenas de milhares – e chegou a receber oficialmente o atestado de óbito.

Maha nunca desistiu de encontrá-lo, visitou hospitais, necrotérios e centros de refugiados por diversas vezes, alegando que nunca havia visto o corpo – segundo reportagem da Al Jazeera, parentes rebatiam essa versão afirmando que ele poderia ter sido soterrado por escombros, já que a região onde moravam foi bombardeada no dia do seu desaparecimento.

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Tudo mudou quando ela recebeu um telefonema de Nada Nabil, jornalista e diretora do Centro Palestino para Busca de Desaparecidos. Ela informou que recebeu de autoridades israelenses a confirmação de que Eid está vivo e se encontra detido no presídio de Ofer, próximo a Jerusalém.

Em entrevista à Al Jazeera, Nabil conta que o caso de Eid Nael é mais comum do que parece. Segundo ela, “há entre sete mil e oito mil palestinos de Gaza que são considerados atualmente como ‘desaparecidos’, segundo os registros oficiais, mas estimamos que há cerca de dois mil casos desses em que a pessoa está viva, mas detida em alguma prisão israelense, e essa informação simplesmente não é disponibilizada pelas autoridades de Israel”.

Tática deliberada

A jornalista relata que manteve contato constante com Maha durante os últimos meses e ajudou na busca contactando diferentes entidades israelenses, principalmente ligadas ao sistema carcerário, já que sua principal suspeita era justamente a de que ele poderia ter sido preso.

“A recusa de Israel em fornecer informações sobre detidos como Eid não é um descuido administrativo, mas sim uma tática militar deliberada para prolongar o sofrimento das famílias palestinas”, afirmou Nabil, que completa: “a ocupação adota intencionalmente uma política de sigilo absoluto para agravar o sofrimento e a dor das famílias de Gaza, e seria um procedimento simples divulgar listas de detidos, mas eles optam pelo sigilo como forma de tortura psicológica e punição coletiva”.

Maha Abu Shaar se emociona ao ver foto do filho Eid Nael
Reprodução vídeo Al Jazeera

A jornalista também considera que o processo para requerer a libertação de Eid é ainda mais complexo e pode tardar alguns anos. “Não há informação sobre o motivo da prisão ou se há uma sentença judicial contra ele”, ressaltou a diretora do Centro Palestino para Busca de Desaparecidos.

Ainda assim, Maha Abu Shaar, disse à Al Jazeera que não perde as esperanças. “Estou feliz, mas agora meu coração está ainda mais preocupado, pois agora sei que ele está vivo e temo pelo que pode estar sofrendo naquelas celas. Não ficarei completamente feliz até poder tê-lo em meus braços novamente”, desabafou.

Com informações de Al Jazeera.