Lava Jato cogitou buscar provas na Suíça para interdição de Gilmar Mendes

Aposta principal era de que ministro do STF aparecesse como beneficiário de contas e cartões que Paulo Preto, do PSDB, mantinha no país europeu

Em nova parceria, agora com o jornal espanhol El País, o site The Intercept Brasil divulgou novos diálogos da Vaza Jato nesta terça-feira (06/08). Nas conversas, procuradores da Lava Jato planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir materiais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O objetivo era pedir a suspeição ou até o impeachment do magistrado.

"Gente essa história do Gilmar hoje!!(…)Justo hoje!!!(…)Que Paulo Preto foi preso", diz Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato, no grupo Filhos do Januário 4, que reúne procuradores da força-tarefa, no dia 19 de fevereiro deste ano.

Segundo o El País e o Intercept, a conversa buscava levantar um possível elo entre Mendes e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, operador financeiro do PSDB.

A aposta principal era que Gilmar Mendes, que já havia concedido dois habeas corpus em favor de Preto, aparecesse como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça.

"Vai que tem um para o Gilmar…hehehe", diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo, em referência aos cartões do investigado ligado aos tucanos.

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Aposta principal era de que ministro do STF aparecesse como beneficiário de contas e cartões que Paulo Preto, do PSDB, mantinha na Suíça

Na sequência, Dallagnol fala sobre um pedido aos procuradores da Suíça: "hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta", escreve.

Segundo a reportagem, Dallagnol comenta saber de "um boato" ouvido de procuradores paulistas de que parte do dinheiro mantido por Paulo Preto em contas no exterior pertenceria a Mendes. "Mas esse boato existe mesmo?", pergunta o procurador Athayde Ribeiro da Costa. "Pessoal da FT-SP disse que essa info chegou a eles", responde Julio Noronha em referência aos colegas paulistas.

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