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Vaza Jato: em mensagens para si mesmo, Dallagnol sonhava em ser senador

'Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será', escreveu

O procurador Deltan Dallagnol considerou se candidatar a uma vaga de senador nas eleições de 2018, revelam mensagens trocadas via Telegram e entregues ao Intercept por uma fonte anônima. Num chat consigo mesmo, ele chegou a se considerar “provavelmente eleito”. Também avaliou que a mudança que desejava implantar no país dependeria de “o MPF lançar um candidato por Estado” — uma evidente atuação partidária do Ministério Público Federal, proibida pela Constituição.

Isso significa que o coordenador na Lava Jato não se limitava a enriquecer com as palestras que passou a fazer com a fama construída no calor da operação. Ele tinha também objetivos políticos-partidários. Ou nas eleições do ano passado, das quais a Lava Jato eliminou a participação de Lula por meio de uma condenação em tempo recorde, ou em 2022 – se não fosse atrapalhar o conterrâneo Álvaro Dias.

Em 29 de janeiro de 2018, numa longa mensagem enviada para ele mesmo, Dallagnol refletiu: “Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado. Apesar de em 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta”.

Nas mensagens obtidas, segundo o Intercept, Deltan Dallagnol sinaliza ter conversado sobre candidatura com figuras como o jurista Joaquim Falcão, professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, ex-presidente da Fundação Roberto Marinho e membro da Academia Brasileira de Letras, o jornalista e colunista do UOL Josias de Souza e o jurista Michael Mohallen, também da FGV-RJ.

Intercept informa que Josias e Mohallem confirmaram ter mantido conversas com Dallagnol sobre o assunto.

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