O NEGACIONISMO NO SÉCULO XIX

Quando chega ao Brasil,
o vírus da febre amarela pega o reinado de D. Pedro II de surpresa
e avança sem piedade, deixando um rastro de pânico e morte.

Acredita-se que o vírus tenha entrado no país por Salvador, em 1849, a bordo de um navio norte-americano que havia feito escala em ilhas infectadas do Caribe.

Apesar da destruição que a doença causava, alguns políticos tentaram negar a realidade e minimizar a gravidade da epidemia.

Discurso do senador e ministro Bernardo Pereira de Vasconcellos em 1850.

Tem-se apoderado
da população do Rio de Janeiro um terror demasiado.
A epidemia não é tão danosa como se têm persuadido muitos.

Apenas duas semanas após dizer essas palavras, o senador Vasconcellos morre, justamente por causa da febre amarela.

Em dois meses, o Senado perde outros três parlamentares: senadores Visconde de Macaé (BA), Manoel Antônio Galvão (BA) e José Thomaz Nabuco de Araújo (ES).


No entanto, o negacionismo segue.

Eu tenho algumas 22 pessoas na minha casa e não tive uma única delas doente.

Senador Costa Ferreira (MA), referindo-se aos seus familiares e escravos.

Apenas no Rio de Janeiro, então capital brasileira com 200 mil habitantes, cerca de 4 mil pessoas morrem em poucos meses por conta da doença.

Os negacionistas,
no entanto, apesar
de barulhentos,
não conseguem prevalecer.

E apesar da falta de uma rede pública de saúde naquele contexto, o governo passa a oferecer à população hospitais de isolamento, enfermarias, médicos, remédios e alimentos.

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Alguns senadores se incomodam com a estratégia por conta dos gastos com o dinheiro do Estado.

Como homem público, rejeito essa doutrina, que aproxima-se um pouco do socialismo. É um dos pontos do socialismo sustentar os pobres.

Visconde de Olinda (PE)

Mesmo com as ações governamentais, as medidas de prevenção são pouco eficazes por conta das limitações científicas da época. 

Diante de tal situação, os doentes apelam para tratamentos nada convencionais, incluindo drogas sem comprovação científica e rituais prescritos por padres, curandeiros e charlatões.

Já no fim do século XIX,  descobre-se que a febre amarela é transmitida pelo mosquito posteriormente batizado de Aedes aegypti.

A situação no Brasil só muda no início do século XX, quando o médico Oswaldo Cruz dedica-se a combater o mosquito. 

A descoberta da vacina, em 1937, abriu uma nova frente de batalha. No Brasil, a última epidemia de febre amarela ocorre em 1942.

Desenvolvimento: Duda Blumer

Texto original: Ricardo Westin/Agência Senado

Fotos:  A Vida Fluminense, Biblioteca Nacional Digital, Sébastien Auguste Sisson e Wikicommons

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