ZENZILE MIRIAM MAKEBA:
A MÚSICA CONTRA O APARTHEID

De Joanesburgo, na África do Sul, Zenzile Miriam Makeba foi uma cantora que, durante toda a vida, lutou contra a segregação racial e pelos direitos humanos.

Makeba tornou-se um símbolo das mais importantes lutas negras do século XX, influenciando gerações de músicos com sua força, alegria e posições políticas.

Aos 18 dias de vida, Makeba é presa junto com sua mãe, que produzia cerveja, o que era proibido pelas leis segregacionistas da África do Sul durante o apartheid.

Passa a infância dentro da igreja, onde canta e inicia sua vida acadêmica em uma escola metodista.

Como babá, em seu primeiro emprego, passa a ter contato com outros estilos musicais. 

E inicia sua carreira musical ainda adolescente em um grupo de jazz chamado Cuban Brothers.

Nos anos 1960 vai para os Estados Unidos, quando sua carreira decola. Makeba participa de um documentário anti apartheid e vai até o Festival de Veneza apresentar o filme.

Faz uma parceria com o cantor e ator negro Harry Belafonte, que a apresenta ao movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos. 

Interpreta Pata Pata, a canção mais conhecida da cantora, quando, em 1967, alcança o topo mundial com a música.

Ficando nos EUA, declara apoio aos Panteras Negras, organização que lutava contra as violências aos negros. 

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Seguindo na militância, ‘Mama África', como também é conhecida, participa, em 1975, da independência de Moçambique, quando lança a música A luta continua.

Ao lado do marido Stokeley Carmichael, a cantora serve como delegada da Guiné junto à ONU - o que lhe vale o Prêmio da Paz Dag Hammarskjöld. 

A morte de sua única filha faz com que Makeba mude para a Bélgica nos anos 1980. 

Makeba só volta à África do Sul em 1990, com o fim do apartheid e a convite do então presidente Nelson Mandela. 

Durante sua vida, Makeba participa ativamente do movimento de independência colonial do século XX, apoiando as independências africanas. 

Por meio da música, Makeba fala com multidões.

Além de representar a resistência ao violento regime racista do continente africano, seu talento e voz transformavam cada apresentação num ato político.

Olho para uma formiga e me vejo: um sul-africano nativo, dotado de uma força muito maior que o meu tamanho, para poder lidar com o peso do racismo que esmaga meu espírito

Como uma voz africana e uma cantora global, Makeba rompeu barreiras políticas, falando com as comunidades negras de todo o planeta.

Já doente, em 2008, a cantora morre em Castel Volturno, na Itália.

Desenvolvimento:
Duda Blumer.

Texto original:
Haroldo Ceravolo Sereza e Joana Monteleone.

Fotos:
Flickr e Wikicommons.

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