Primeiro filme rodado inteiramente em língua indígena aymara estreia no Peru

'Wiñaypacha' ('Eternidade'), do cineasta aymara Oscar Catacora, mostra vida de casal de idosos nos Andes peruanos; toda a equipe de filmagem era fluente no idioma, falado na fronteira entre Peru, Bolívia e Chile

O filme “Wiñaypacha” (“Eternidade”), realizado pelo cineasta Oscar Catacora, é o primeiro longa-metragem peruano inteiramente rodado no idioma aymara, língua indígena falada na fronteira entre Peru, Bolívia e Chile.


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A película será exibida pela primeira vez no Festival de Cinema de Lima, que acontece entre os dias 4 e 12 de agosto na capital peruana. O filme conta a história de um casal de idosos, Willka e Phaxsi, que vive a 5.000 de altura, nos Andes peruanos, e que passa o tempo sentindo saudades do filho, que há muito não aparece para uma visita.

O cineasta autodidata Catacora tem 30 anos de idade e nasceu em Puno, região à beira do lago Titicaca, no sul do Peru, e tem origem aymara. Ele disse ao jornal espanhol El País que a história contada no filme se baseia na vida de seus avós. “Eu via a ausência de meus pais e de seus outros filhos, meus tios que vivem em Lima e que poucas vezes os visitaram; via como [os avós] sentiam a falta deles. E esse abandono segue ocorrendo porque muitos jovens deixam seus lugares de origem”, afirma.

Divulgação

Cena de 'Wiñaypacha', primeiro filme rodado inteiramente em língua aymara no Peru

Ele conta que cresceu aprendendo espanhol, mas que quando tinha entre seis e sete anos de idade seus pais o mandaram passar um tempo com os avós, para que aprendesse o idioma aymara. “Conviver com meus avós foi uma etapa crucial na minha vida”, conta. “Quando voltei para casa, pela primeira vez, minha mãe me disse que eu voltei como um aymara”.

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O projeto foi realizado com o apoio do Ministério da Cultura peruano e recebeu essa semana o prêmio de distribuição da pasta, que disponibilizará 30 mil dólares que serão usados para projetar o filme pelo país e legendá-lo em quéchua, outro idioma indígena e oficial do Peru.

Além dos dois únicos protagonistas, um homem e uma mulher da etnia aymara com cerca de 80 anos de idade, toda a equipe de filmagem era fluente na língua indígena.

O diretor explica também que, no mundo tradicional andino, os idosos têm muita autoridade e são muito reverenciados, e não se comunicam de igual para igual com os mais jovens. Por isso, a equipe contratou um intérprete aymara de cerca de 50 anos de idade como assistente de direção para fazer a mediação com os “atores”.

“Há um aspecto cultural de respeito: só os mais jovens podem falar, os jovens não se metem. Não é fácil que uma pessoa de 29 anos [idade do diretor durante a filmagem] interaja com uma de 80. Também foi difícil explicar-lhes o que tinham que fazer, porque o termo ‘cinema’ não existe para eles, nem ‘atuar’, eles nunca tinham visto um filme”, conta Catacora.

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