Supremo da Itália nega prisão de capitã que desafiou Salvini

Caso ocorreu em junho passado, quando Rackete forçou a entrada da embarcação, pertencente à ONG alemã Sea Watch, no porto de Lampedusa, ilha italiana situada no Mediterrâneo Central

Redação

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Roma (Itália)

A Corte de Cassação, tribunal supremo da Itália, rejeitou nesta sexta-feira (17/01) um recurso do Ministério Público de Agrigento contra a libertação da capita alemã Carola Rackete, que havia sido presa por atracar um navio com migrantes sem autorização.

O caso ocorreu em junho passado, quando Rackete forçou a entrada da embarcação, pertencente à ONG alemã Sea Watch, no porto de Lampedusa, ilha italiana situada no Mediterrâneo Central. Ao atracar, o navio se chocou contra um barco da Guarda de Finanças e provocou a fúria do então ministro do Interior Matteo Salvini, que havia impedido o desembarque.

A alemã ficou em prisão domiciliar entre 29 de junho e 2 de julho, quando um juiz da província de Agrigento determinou sua soltura. O Ministério Público recorreu, mas a Corte de Cassação deu nesta sexta-feira uma sentença definitiva pela liberdade da capitã.


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Rackete forçou a entrada da embarcação, pertencente à ONG alemã Sea Watch, no porto de Lampedusa, ilha italiana

A Sea Watch tinha resgatado 53 pessoas no Mediterrâneo, porém apenas 40 estavam a bordo quando Rackete entrou no porto de Lampedusa, após 17 dias no mar.

"Ninguém deveria ser processado por ajudar pessoas em dificuldade. A corte confirmou que não deveriam ter me prendido por salvar vidas. Trata-se de um veredito importante para todos os agentes humanitários", disse a capitã no Twitter.

Já Salvini, que arrisca ser processado por sequestro por ter bloqueado outro navio de migrantes, afirmou que a Justiça italiana é "incrível". "Uma senhorita alemã que arriscou matar militares italianos não é processada, mas querem processar um ministro que defendeu as fronteiras de seu país", declarou.

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