Policiais fecham aeroporto de Quito e estradas que levam à capital do Equador, que vive crise política

Policiais fecham aeroporto de Quito e estradas que levam à capital do Equador, que vive crise política

Daniella Cambaúva*

Atualizada às 14h25

Um grupo de 800 policiais fechou o aeroporto Mariscal Sucre de Quito e as principais estradas de acesso à capital, Quito, para protestar contra o veto da Assembleia Nacional à Lei de Serviço Público. Com a decisão, bonificações e promoções são eliminadas.

O presidente do Equador, Rafael Correa, foi ao local para tentar dialogar com os policiais, mas precisou deixar o aeroporto quando policiais atiraram bombas de gás lacrimogênio.

Segundo o site do jornal El Universo, Correa foi levado ao Hospital Metropolitano, na capital, onde foi atendido. Ele teria sido atingido por garrafadas, de acordo com notícia veiculada pelo Canal Uno de televisão.

Os manifestantes queimaram pneus e atiraram pedras e afirmaram que não vão sair dali até que o governo  demonstre possibilidade de negociar.

As informações são da Telesur e da agência equatoriana de notícias Andes. Correa buscava encontrar uma solução para o conflito, mas a equipe oficial de segurança tirou o presidente dali. 

Segundo o coordenador nacional do MPD (Movimento Popular Democrático, partido de esquerda que faz oposição a Correa), Stalin Vargas, os serviços de internet e de telefone celular não estão funcionando bem no país.

Ao Opera Mundi, ele disse não acreditar na possibilidade de que um golpe de Estado esteja em andamento e que não há manifestação de fechamento do Assembleia, apesar dos protestos.

A manifestação dos policiais está sendo apoiada por operários, professores e estudantes, segundo Vargas.

Assim ao vídeo feito pela emissora equatoriana NTN24, que mostra cenas dos protestos na capital:

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Correa indicou hoje (30/9) que analisa a hipótese de dissolver o Congresso Nacional e convocar eleições antecipadas. A informação é da ministra de Política, Doris Solís, depois de uma reunião com Correa.

O presidente estuda adotar um mecanismo, autorizado pela Constituição equatoriana, denominado “morte cruzada”, que lhe dá poderes de dissolver o Congresso quando há ameaças ao desenvolvimento do país, entre outras circunstâncias.

Ainda hoje está prevista sessão no Parlamento e o tema deve ser o principal assunto das discussões. O Congresso equatoriano é formado por 100 membros, eleitos diretamente, para um período de quatro anos. Os parlamentares representam quatro regiões distintas do país.


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A Lei de Serviço Público, que levou à manifestação dos policiais, faz parte de uma reforma dos serviços públicos do país. Segundo reportagem da Telesur, ele não conseguiu ser ouvido. "Uma pena que os atores da pátria se comportem desta maneira”, afirmou Correa diante dos manifestantes.

O ministro de Segurança do Equador, Miguel Carvajal, afirmou em entrevista coletiva que acreditam na possibilidade de situação se resolver em breve.

"Acreditamos que a situação gerada pela falta de informações dos oficiais será resolvida e que tudo voltará à normalidade em breve”, disse à imprensa.

Houve enfrentamento entre pessoas que defendem o presidente e aqueles que integram o protesto dos policiais na Praça da Independência, informou a repórter da Rádio Nacional, do Equador, que está ao vivo no local

*Com Telesur, Andes e Agência Brasil

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