G20 não cita luta contra protecionismo e mudanças climáticas, refletindo posição dos EUA

Ao contrário de anos anteriores, documento divulgado ao fim de reunião de ministros das Finanças não contém condenação ao protecionismo econômico nem apoio ao acordo de Paris sobre clima

Se nos últimos anos os ministros das Finanças dos 20 países mais poderosos do mundo (G20) prometeram "resistir a todas as formas de protecionismo", o documento deste ano ignorou o tema e também o impacto das mudanças climáticas.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

Tradicionalmente, a menção contrária às práticas protecionistas é incluída nos textos, mas acredita-se que a nova postura do governo dos Estados Unidos, que tem em Donald Trump um feroz adversário às políticas de globalização, foi fator determinante para a exclusão do tema.

"Trabalharemos para reforçar a contribuição do comércio para as nossas economias", limita-se a dizer o documento sobre o comércio global apresentado pelos ministro após reunião em Baden Baden, na Alemanha. Além disso, o documento apenas cita a necessidade de um "reforça" na arquitetura global do segmento.

O texto final apresentado neste sábado (18/03) também não faz nenhuma menção às questões ambientais e às mudanças climáticas, que são consideradas "besteiras" por Trump. O Acordo de Paris, que entrou em vigor no ano passado, não foi citado.

Por causa disso, o ministro da Economia da França, Michel Sapin, soltou uma nota em que "lamenta" a falta de acordo sobre o comércio mundial e pela "absoluta" ausência de qualquer referência ao Acordo de Paris sobre o aquecimento global.

Agência Efe

Governo norte-americano acredita em um comércio livre, mas "equilibrado", afirmou secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin

Funcionários da Alitalia farão nova greve no dia 5 de abril

Crise diplomática com Europa traz à tona tensão histórica e fortalecimento de autoritarismo na Turquia

Um milhão de espanhóis emigraram desde começo de crise econômica, apontam dados oficiais

 

Por sua vez, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, disse que seu governo acredita em um comércio livre, mas "equilibrado". O representante de Trump destacou que Washington tem "confiança" de que vai trabalhar construtivamente com os parceiros do G20.

Já o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schäuble, afirmou que "houve muita discussão sobre o comércio" e que "encontramos uma fórmula que reflete a vontade de continuar a abster-se da desvalorização competitiva [de moedas], da concorrência não justa e estamos todos convictos de que o comércio global reforça as nossas economias globais".

"Às vezes, nessas reuniões, nós não conseguimos atingir todos os resultados que queríamos", disse ainda Schäuble.

O documento aponta que a retomada do crescimento global continua a fazer "progressos", mas diz que ainda há riscos para a economia mundial que fazem com que todos se comprometam a usar "todos os instrumentos para estimular o crescimento e reforçar a contribuição ao comércio internacional".

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, afirmou que o encontro foi importante porque ocorreu em um momento em que "há sinais de que o crescimento da economia global está ganhando velocidade e encontrou um ponto de virada, mesmo se ainda há incertezas".

Leia Mais

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

História Agrária da Revolução Cubana

História Agrária da Revolução Cubana
Este livro é um estudo sobre a saga da reforma agrária numa sociedade de origem colonial presa ao círculo vicioso do subdesenvolvimento. Fundamentado em farta documentação e entrevistas com técnicos e lideranças que participaram diretamente do processo histórico cubano, o trabalho reconstitui as barreiras encontradas pela revolução liderada por Fidel Castro para superar as estruturas materiais de uma economia de tipo colonial.
Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias

Olhar crítico desde a esquerda: a economia

Desafio estratégico para superar a condição de exportadores de commodities requer um processo de industrialização especializada para as exportações que permita dar o salto ao desenvolvimento produtivo e à independência econômica