Merkel insiste sobre 'recuperar' eleitores do AfD, mas sem guinada à direita

Resultado foi um dos mais baixos do partido da chanceller; SPD também diminuiu desempenho e Die Linke conquistou 5 cadeiras a mais no parlamento

A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a falar nesta segunda-feira (25/09) do desejo de recuperar o eleitorado perdido para o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições gerais, mas descartou que isso signifique uma guinada à direita.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

"Temos que recuperar parte do milhão de votos que foi para AfD", indicou a líder alemã, cuja aliança conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU) ganhou claramente as eleições realizadas ontem, apesar da forte perda de eleitores, enquanto que a extrema direita ficou em terceiro lugar.

Estima-se que, para além desse 1 milhão de votos para o AfD, que vai estrear no Bundestag, o grupo de Merkel perdeu outros 1,3 milhão de eleitores para o Partido Liberal, que volta ao parlamento após uma legislatura pouco expressiva.

Segundo a chanceler, recuperar os eleitores perdidos demanda "uma boa política" e por "escutar melhor os problemas" das pessoas em questões que vão da integração dos estrangeiros ao combate à imigração ilegal, passando pela política social.

Segundo os dados mais atualizados, nas eleições deste domingo (24/09), a CDU/CSU de Angela Merkel venceu as eleições (com 33 por cento dos votos), corroborando as previsões, mas com um dos resultados mais baixos da história do partido, o menor foi apenas em 1949, quando obteve 31%. Assim, perdeu quase nove pontos percentuais e 65 mandatos no Bundestag, parlamento alemão. Nas últimas eleições, há 4 anos, tinha conseguido 41,5 por cento e 311 lugares no parlamento alemão.

 

Merkel e Putin apostam em solução pacífica para conflito norte-coreano

Chanceller alemã rejeita ameaças de Trump a Coréia do Norte e fala em solução diplomática

Angela Merkel vence eleições alemãs com 33,5% dos votos

 

O SPD também sofreu perdas consideráveis, somando apenas 20,5 por cento dos votos e 153 mandatos. Em 2013, obteve 25,7 por cento e 192 lugares. Martin Schulz interpretou o resultado como um voto contra a "grande coligação" com a CDU/CSU Merkel e anunciou o fim do acordo de Governo, que assumiu os destinos da Alemanha nos últimos quatro anos.

O partido da esquerda, Die Linke, subiu em percentagem e número de mandatos, obtendo 9,2 por cento dos votos e 69 mandatos no  Bundestag, mais 5 do que em 2013 (na altura, obteve 8,6 por cento dos votos).

Divulgação

Partido de Merkel teve um dos resultados mais baixos da história


Merkel descartou que vá buscar aproximação com a presidente do AfD, Frauke Petry, que nesta segunda-feira, inesperadamente, informou que não fará parte do grupo parlamentar de extrema direita, e insistiu que seu propósito é conseguiu "maioria suficiente para formar um governo estável". Para isso, afirmou que irá procurar os Verdes e o Partido Liberal para negociar o que se denomina de uma "coalizão à Jamaica", em alusão às cores desses partidos, que são as mesmas da bandeira jamaicana.

Merkel disse que manterá "aberto" o diálogo com o SPD, apesar de Schulz ter descartado a possibilidade de uma reedição da grande coalizão como a que a chanceler liderou no mandato anterior. 

*Com informações da EFE.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

Democracia

Democracia

A construção e a defesa da democracia envolve muitas áreas: feminismo, educação, história. Conheça alguns títulos da Alameda Casa Editorial sobre o tema.

Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias