Líderes internacionais condenam violência israelense na Faixa de Gaza

Segundo balanço, ao menos 58 pessoas foram mortas e 2,7 ficaram feridas; chefes de Estado condenaram uso excessivo de força e defenderam direito a manifestação

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Líderes de diversos países reagiram aos ataques das Forças Armadas israelenses que ocorreram na cerca que separa Gaza de Israel nesta segunda-feira (14/04). Só entre ontem e hoje, terça-feira (15/05), ao menos 62 pessoas foram mortas. 


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Palestina

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, denunciou um “massacre” na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. “O que vimos em Jerusalém hoje não foi a abertura de uma sede diplomática, mas a inauguração de uma ‘instalação de guerra norte-americana’”.

O líder também afirmou que “os Estados Unidos não são mais mediadores no Oriente Médio” e que a inauguração da embaixada do país representa “um novo posto avançado de colonização”. Nesta segunda, os EUA inauguraram sua nova embaixada em Jerusalém, cidade considerada sagrada por judeus, católicos e muçulmanos.

França

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que condena “a violência das Forças Armadas de Israel" contra os manifestantes. Durante uma ligação telefônica com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e com o rei da Jordânia, Abdullah II, o mandatário reafirmou que condena a decisão dos EUA de transferir sua embaixada para Jerusalém.

Já o porta-voz do país, Jean-Yves Le Drian, afirmou que “a França mais uma vez apela às autoridades israelense para que exercitem o discernimento e a contenção no uso da força”, destacando “o direito dos palestinos de se manifestarem pacificamente”.

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Reprodução/Nasser Atta/Twitter

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Alemanha

O governo da Alemanha também se pronunciou por meio do porta-voz de Angela Merkel, e afirmou que “o direito a um protesto pacífico também deve se aplicar a Gaza”. “Israel tem o direito de se defender e assegurar suas fronteiras, mas o princípio da proporcionalidade se aplica”, diz a nota, que ressalta que o uso de munição letal só deveria ocorrer quando outras formas de contenção se mostrassem ineficazes.

Reino Unido

“Estamos preocupados com relatos de violência e a mortes em Gaza. Pedimos calma e moderação para evitar ações destrutivas para os esforços de paz”, afirmou um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May.

União Europeia

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu que “todas as partes ajam com a máxima moderação, a fim de evitar mais perdas de vidas humanas” e lembrou a “posição clara e unida da União Europeia”, segundo a qual a transferência da embaixada norte-americana a Jerusalém não deveria ter acontecido.

Rússia

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse estar “convencido" de que não se deve "reverter unilateralmente as decisões da comunidade internacional. E o destino de Jerusalém deve ser decidido pelo diálogo direto com os palestinos”.

Turquia

“Amaldiçoamos o massacre realizado pelas Forças Armadas de Israel contra palestinos participando de uma manifestação pacífica”, afirmou em nota o governo do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O mandatário convocou luto de três dias no país e chamou de genocídio a ação das forças israelenses, classificando Israel como um “Estado terrorista”. “Não importa de que lado, seja dos Estados Unidos ou de Israel, eu amaldiçôo essa situação humanitária, esse genocídio”, disse.

Erdogan expulsou o embaixador israelense de Ancara, ato que foi seguido pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu - que declarou persona non grata o representante turco em Tel Aviv.

Kuwait

O Kuwait, membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), pediu rigor nas investigação e uma reunião de emergência com a entidade. O país também condenou o uso desproporcional da força por parte das forças israelenses.

Brasil

O Itamaraty também lançou uma nota condenando os ataques. “O Brasil acompanha com grande preocupação o aumento da violência na Faixa de Gaza, que deixou dezenas de mortos e milhares de feridos nas últimas semanas e resultou, hoje, na morte de mais de 50 palestinos”, afirma a nota.

O governo também reiterou “sua posição em prol de negociações que garantam o estabelecimento de dois estados, vivendo em paz e segurança, dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas, e que assegurem o acesso aos lugares santos das três religiões monoteístas, de acordo com as resoluções do Conselho de Segurança, em especial a Resolução 478 (1980), e da Assembleia Geral Nações Unidas”.

ONU

O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que Israel ignorou a lei internacional sobre o uso da força ao atacar palestinos que protestavam pacificamente na cerca com Gaza.

“As regras para uso da força sob a lei internacional foram repeticas muitas vezes, mas parecem ser ignoradas repetidamente. Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”, afirmou o órgão, pelo Twitter, em referência a Israel.

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