Bolívia nacionaliza administradora espanhola de aeroportos

Segundo La Paz, companhia não realizava investimentos previstos e obtinha "lucros exorbitantes"; Espanha diz que decisão terá consequências

Efe

Governo afirma que empresa não concretizou investimentos previstos para a manutenção e ampliação de aeroportos

O presidente Evo Morales anunciou nesta-segunda-feira (18/02) que a Bolívia nacionalizou o pacote acionário da empresa que administra os três maiores aeroportos do país, em La Paz, Cochabamba e Santa Cruz. Trata-se da Sabsa (Serviços de Aeroportos Bolivianos S.A.), filial do grupo espanhol Abertis-Aena.

Por meio do ministro José Manuel García-Margallo, a Espanha criticou a decisão e disse que a medida "terá consequências".

Segundo o governo boliviano, a filial do grupo espanhol não concretizou os investimentos previstos para a manutenção e ampliação dos aeroportos. Apesar do “capital irrisório” que os executivos da empresa colocaram no país, esta teve “lucros exorbitantes”.

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O vice-presidente do país, Álvaro García Linera, e o ministro de Obras Públicas, Vladimir Sánchez, também estavam presentes durante o anúncio, feito na cidade de Cochabamba, que abriga a sede de Sabsa. Segundo Morales, a empresa requeriu um investimento inicial de 52,1 mil bolivianos (cerca de 14,7 mil reais) e que seus fundadores pagaram 26.050 (7,4 mil reais aproximadamente).

O presidente boliviano afirmou ainda que, de 2006 a 2011, a empresa deveria ter investido 26,9 milhões de dólares nos aeroportos do país, mas que somente executou cerca de 5,9 milhões dólares no período. Ainda de acordo com Morales, os lucros da empresa privada chegaram a 20,6 milhões de dólares, entre 1997 e 2011, o equivalente a 2,2% dos 953,7 mil dólares investidos.

"Estas e outras razões nos obrigaram a tomar a decisão de nacionalizar a Sabsa”, afirmou Morales, explicando que “por razões de caráter diplomático” entre os países, o governo esperava chegar a um acordo com a empresa.

Segundo ele, ex-ministros bolivianos  tentaram fazer com que a Sabsa investisse no país. “Não pudemos nos entender, por isso esse decreto”, explicou.

A ABI (Agência Boliviana de Informação) informou que o representante dos trabalhadores da filial, Alfredo Chávez, comemorou a decisão: “Fez-se justiça para a Bolívia, porque durante muitos anos nós vimos que esta empresa estava enganando os bolivianos. Por tudo que vimos, é uma boa medida do presidente, que já estava sabendo de todas as anomalias na Sabsa”.

Para o sindicalista, a política trabalhista da empresa era injusta e discriminatória, e os empregados podem continuar prestando serviços nos três aeroportos. “Temos toda capacidade para ir em frente com nosso governo e garantir o funcionamento da empresa”, acredita.

"Em 120 dias uma empresa independente avaliará o pagamento que o Estado realizará para a companhia”, informou a ABI. A Sabsa é a sexta filial de empresas espanholas nacionalizadas pelo governo boliviano em menos de um ano. Segundo a agência espanhola de notícias Efe, em nenhum dos casos houve compensação econômica.

* com informações da Efe e da ABI

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