Ataque saudita a hospital no Iêmen foi 'injustificado', diz MSF em relatório sobre bombardeios

Resultado de investigação da ONG Médicos Sem Fronteiras foi divulgado um dia antes de reunião sobre o tema no Conselho Segurança da ONU

A organização MSF (Médicos Sem Fronteiras) afirma, em um relatório divulgado nesta terça-feira (27/09), que o ataque contra um hospital rural mantido pela entidade em agosto deste ano no Iêmen foi “injustificado e sem provocação”.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

A ONG divulgou dois documentos que apresentam detalhes de uma investigação a respeito de dois bombardeios contra instituições de saúde que recebem financiamento ou apoio da MSF naquele país.

O lançamento do relatório ocorre um dia antes de uma reunião sobre o tema no Conselho Segurança da ONU sobre a garantia de proteção a hospitais, profissionais de saúde e pacientes em zonas de conflito, de acordo com as Convenções de Genebra.

Agência Efe

Bombardeio na cidade de Sana'a, no Iêmen; ataques contra 
houthis iniciaram em março de 2015 no país

Os ataques foram efetuados por forças de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que realiza, desde março de 2015, uma intervenção no Iêmen contra os houthis insurgentes, que são xiitas, quando estes expulsaram o presidente, Abdo Rabbo Mansour Hadi, do país.

Em 15 de agosto deste ano, 19 pessoas morreram, incluindo um membro da MSF, e 24 ficaram feridas após um bombardeio contra um hospital em Abs, na província de Hajjah.

Segundo o relatório, o ataque ocorreu cinco minutos após o ingresso, na unidade de saúde, de um carro, onde os ocupantes afirmavam terem sido vítimas de bombardeios.

“O bombardeio lançado no hospital de Abs em 15 de agosto de 2016 foi um ataque injustificado e não provocado pela coalização liderada pelos sauditas”, diz o documento.

“Independentemente de o alvo ter sido o hospital ou o carro, o ataque foi ilegítimo”, acrescenta a MSF.

De acordo com a entidade, vários pacientes tiveram a saúde prejudicada por terem sido obrigados a fugir da instituição, que precisou ficar fechada por 11 dias.

Após o ataque, a MSF decidiu retirar suas equipes médicas de seis hospitais no norte do Iêmen.

A organização diz não ter recebido notificações a respeito das ações, que poderiam ter permitido a evacuação dos pacientes.

De acordo com a Médicos Sem Fronteiras, o ataque em Abs foi o quinto e “mortal” ataque contra instituições mantidas pela entidade em um ano no Iêmen,em meio a “incontáveis” agressões contra instalações e serviços de saúde pelo país.
 

Na ONU, Evo Morales acusa Chile de violar direitos humanos de bolivianos

Na Assembleia Geral da ONU, Cuba rechaça golpe no Brasil e expressa solidariedade a Dilma

Em ato histórico, presidente colombiano e líder das FARC assinam acordo de paz

 

Já outro documento apresenta detalhes a respeito de um ataque em 2 de dezembro de 2015, quando uma clínica mantida pela organização foi alvo de um bombardeio na cidade de Taiz. Nove pessoas ficaram feridas, sendo que uma faleceu no dia seguinte.

“Apesar de haver diferenças significativas entre as circunstâncias que cercaram cada incidente, os bombardeios atingiram unidades médicas em pleno funcionamento e a proteção inerente às atividades médicas não foi respeitada”, diz a organização.

A MSF afirma também que as investigações a respeito dos dois ataques indicam que “a neutralidade e a imparcialidade das instalações não haviam sido comprometidas antes dos ataques, de forma que não havia razões legítimas para atacar as unidades de saúde”.

A organização faz também uma crítica ao conflito no Iêmen, onde, de acordo com a MSF, “há um total menosprezo das partes em conflito pela vida civil”.

Nesta quarta-feira (28/09), o Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião para tratar da resolução 2.286, aprovada em 3 de maio deste ano, que trata do atendimento à saúde em conflitos armados e que condena ataques contra instituições e infraestrutura de atendimento à população.

“[A] MSF apela aos integrantes do Conselho de Segurança para que tomem atitudes corajosas e práticas na reunião sobre o tema marcada para esta quarta-feira, 28 de setembro, a fim de garantir que 2016 seja o último ano em que hospitais são massivamente bombardeados enquanto o mundo assiste em silêncio”, diz.

PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

Diálogos do Sul

PUBLICIDADE

Últimas notícias

Mais Lidas

Destaques

PUBLICIDADE

Notícias + Lidas

Últimas Notícias

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE