"EUA são um inferno", diz relatório da Coreia do Norte sobre direitos humanos

Análise publicada por agência de notícias estatal acusa Barack Obama de "se entregar ao luxo" enquanto povo leva "vida miserável"

Redação

"Os EUA são os piores violadores dos direitos humanos do mundo" ou, pelo menos, é o que diz uma análise feita pela agência de notícias estatal da Coreia do Norte, KCNA, e publicada na última quarta-feira (30/04). No artigo, intitulado "Análise de notícias sobre registros de direitos humanos pobres nos EUA", a agência enumerou diversos pontos controversos, incluindo racismo, desemprego e espionagem, para provar que os Estados Unidos são "um inferno". 

Em fevereiro, a ONU (Organização das Nações Unidas) publicou um relatório sobre o desrespeito aos direitos humanos na Coreia do Norte, depois de entrevistar 320 pessoas, concluindo que as violações a esses direitos no país não têm "nenhum paralelo no mundo contemporâneo". 

A Coreia do Norte reagiu e chegou a atacar o fato de a investigação ter sido conduzida por Michael Kirby, abertamente gay e, segundo a KCNA, "um velho devasso nojento com uma carreira de homossexualidade de 40 anos".  

Wikicommons

Na Coreia do Norte, retratos dos ex-líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il, cujo filho, Kim Jong-un, é o atual presidente 

Agora, entretanto, as autoridades norte-coreanas decidiram montar seu próprio relatório de direitos humanos no Ocidente, que acusa o país do presidente Barack Obama de fingir ser um "modelo" do respeito aos seres humanos. 

Para provar suas ideias, a KCNA apresenta argumentos como o do racismo: "as verdadeiras cores dos EUA como um reino da discriminação racial foram totalmente reveladas no ano passado, quando a corte da Flórida declarou inocente um vigia branco que matou um menino negro". A agência refere-se ao caso de Trayvon Martin, que foi morto por George Zimmerman em 2012, e gerou grande comoção nos Estados Unidos. 

"Os Estados Unidos são um inferno, uma vez que direitos elementares à existência são violados", continua o artigo. "No momento, uma média de 300 mil pessoas está desempregada, mas nenhuma atitude apropriada foi tomada (...). Todos os crimes desenfreados nos EUA representam uma grave ameaça para os direitos do povo à existência e para seus direitos invioláveis".  

A KCNA lembra ainda que "o governo dos EUA monitorou todos os movimentos de seus cidadãos e de estrangeiros, com muitas câmeras e até drones envolvidos, sob o pretexto de 'segurança nacional'". O relatório também toca no ponto do número crescente de crimes com armas de fogo nos Estados Unidos, resultado, segundo os norte-coreanos, do abrandamento das leis de controle de armas. 

O texto critica o fato de que "os EUA também têm 2,2 milhões de prisioneiros atualmente, o número mais alto do mundo" e, além disso, "um canal russo disse que nos Estados Unidos as classes mais ricas estão empenhadas em investir na criação de  prisões privadas para seu alto lucro e, assim, mais pessoas vão ser presas". 

Por fim, a KCNA diz que Barack Obama "se entrega ao luxo quase todos os dias, esbanjando centenas de milhões de dólares em suas viagens ao exterior, em desrespeito à vida miserável de seu povo". 

"Tais pobres registros de direitos humanos nos EUA são um produto inevitável da política dos organismos dominantes contra a humanidade", conclui o relatório. 

Os EUA, entretanto, não são o único país a ser alvo de críticas da Coreia do Norte. A vizinha na península, a Coreia do Sul, também foi acusada de desrespeitar os direitos humanos e de ter a pior situação de direitos humanos no mundo. Tudo isso, entretanto, se relaciona ao país de Barack Obama: a Coreia do Sul é "privada de tudo graças aos Estados Unidos". 

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