ONU, Vaticano e Canadá elogiam acordo entre Cuba e EUA; veja outras repercussões

Ban Ki-moon lembrou que bloqueio econômico vem sendo criticado constantemente pela Assembleia Geral da ONU

Redação

Fundamental no avanço das negociações que resultaram na retomada de relações diplomáticas entre Washington e Havana e na libertação do norte-americano Alan Gross e dos três dos Cinco Cubanos que permaneciam presos nos Estados Unidos, o papa Francisco afirmou nesta quarta-feira (17/11) que está “vivamente compadecido pela histórica decisão” e confirmou o papel do Vaticano em promover as conversas. Da mesma forma, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, cujo país sediou a maior parte dos diálogos, diz estar feliz por “ter sido anfitrião de representantes de EUA e Cuba, o que lhes permitiu a discrição necessária para realizar as importantes conversas".

Carlos Latuff

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, disse se tratar de “uma notícia muito positiva” e felicitou os mandatários Raúl Castro e Barack Obama pela decisão “tão solicitada pela comunidade internacional”. Ele acrescentou ainda que as Nações Unidas estão prontas para ajudar a estreitar os laços entre ambos os países. “Por mais de meio século os EUA aplicaram um bloqueio econômico, comercial e financeiro à nação caribenha, apesar dos pedidos quase unânimes da Assembleia Geral em levantá-lo”.

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Entre os latino-americanos, os líderes do Mercosul elogiaram a decisão.

O presidente do Peru, Ollanta Humala, classificou como "decisão valente e histórica" a aproximação entre os governos dos Estados Unidos e de Cuba, porque "abre um novo cenário no processo de integração da América Latina".

Na mesma linha, o presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia, “celebrou a coragem e a audácia do presidente Barack Obama e do governo cubano para criar um futuro de paz no continente americano”.

O ministro de Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, felicitou os países pelos acordos. “O Equador saúda a libertação de três cidadãos cubanos que nunca mereceram a prisão”, acrescentou.

O argentino Prêmio Nobel da Paz Adolfo Esquivel também comemorou a decisão. Ele afirma que o bloqueio não é “um conflito entre países, mas de todos os povos. É hora de mudar”.

Vozes contrárias

Mas também há vozes contrárias à decisão. O presidente da Câmara de Representantes dos EUA, o republicano John Boehner, afirmou, por meio de um comunicado, que as medidas de abertura com relação a Cuba são parte “de uma série de concessões sem sentido a uma ‘ditadura’ que maltrata sua gente e conspira com os inimigos” e acrescentou que “as relações com o regime de Castro não devem ser revisadas e muito menos normalizadas até que o povo cubano possa disfrutar de liberdade”. Com relação à libertação de Alan Gross, no entanto, Boehner manifestou “alegria e alívio”.

A blogueira e ativista contrária ao governo cubano Yoani Sánchez também criticou a decisão. “Ainda que Raúl Castro diga o contrário… este passo de hoje tem o amargo sabor da capitulação”, escreveu no Twitter. Mais cedo, escreveu também que "o castrismo venceu, ainda que Alan Gross tenha saído vivo de uma prisão que poderia se tornar o seu túmulo. No jogo da política, os totalitarismos sempre conseguem se impor sobre as democracias".

Crítico dos diálogos realizados em Havana entre o governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o ex-mandatário e senador Álvaro Uribe comentou que “nenhuma decisão entre os EUA e Cuba deve nos levar a aceitar que o castrismo imponha um governo da ‘terrorista’ FARC”.

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