Boris Johnson perde maioria no Parlamento do Reino Unido

Segundo parlamentar que abandou os conservadores, sua saída se deu porque 'o governo está perseguindo agressivamente um Brexit prejudicial' para o país

O partido conservador do Reino Unido, liderado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, perdeu nesta terça-feira (03/09) a maioria no Parlamento após o deputado Phillip Lee literalmente abandonar a bancada conservadora, atravessar a Casa e se sentar na fileira dos oposicionistas Liberais Democratas durante um discurso do premiê.

A coalizão dos tories com o direitista DUP (Partido Unionista da Irlanda do Norte) agora ficou com 319 assentos no Parlamento, contra 320 ocupados pelas legendas de oposição. A perda de maioria dos conservadores pode aproximar um resultado negativo para Johnson na votação de uma emenda que pretende bloquear a possibilidade de um Brexit sem acordo.

Segundo Lee, sua saída se deu porque "o governo está perseguindo agressivamente um Brexit prejudicial e diversas maneiras. Está colocando idas desnecessariamente em risco e ameaçando a integridade do Reino Unido".

Por sua vez, o premiê condenou a saída de Lee e disse que ela faz parte de um plano para os oposicionistas aprovarem a proposta que busca evitar uma saída da UE sem acordo, chamado por Johnson de "a emenda da rendição".

"Basta significa basta. O país quer isso [Brexit] feito e eles querem que o referendo [de 2016] seja respeitado. Nós estamos negociando um acordo e, apesar de estar confiante em conseguir um, nós vamos sair [da UE] em 31 de outubro sob quaisquer circunstâncias. Não haverá nenhum atraso inútil", disse o premiê.

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"Nós vamos sair [da UE] em 31 de outubro sob quaisquer circunstancias. Não haverá nenhum atraso inútil", disse o premiê

Os parlamentares votarão na tarde desta terça-feira se a oposição poderá tomar "a ordem do dia", o que possibilitaria passar a proposta. Segundo o texto original, a emenda obrigaria o primeiro-ministro a estender o prazo da saída do país da UE para janeiro de 2020, e não mais 31 de outubro deste ano como previsto. Porém, a mudança de prazo só aconteceria se o Parlamento rejeitasse um acordo do governo ou a proposta de saída sem acordo.

Em pronunciamento nesta segunda-feira (02/09) em frente a Downing Street, Jonhson afirmou que "não quer uma eleição", mas que apenas a derrota dessa emenda no Parlamento poderia evitar o pleito.

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