Organizações humanitárias são impedidas de trabalhar na República Centro-Africana

Conflito armado que se iniciou em 2013 ganha proporções maiores e já atingiu membros de ONG's; em agosto, seis voluntários da Cruz Vermelha morreram em ataque a centro hospitalar

Organizações humanitárias são forçadas a se retirar de cidades e vilarejos da República Centro-Africana. A intensificação do conflito armado que assola o país desde 2013 trouxe mais violência para a população e tem interferido no trabalho de organizações humanitárias que atuam no território.


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Em agosto, seis voluntários do Comitê Internacional da Cruz Vermelha foram mortos em um ataque a um centro médico na cidade de Gambo, o que contabilizou o terceiro ataque envolvendo membros do CICV no país durante esse ano.

Segundo Caroline Ducarme, chefe da missão de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no país, “pessoas irão morrer” se não receberem tratamento contra malária, devido à temporada da doença na região. MSF é uma das organizações que atuam no país africano e que tem enfrentado dificuldades para auxiliar no combate e tratamento de doenças. 

A organização já interrompeu os trabalhos em Bangassou, cidade com aproximadamente 25 mil habitantes, e em Zemio, onde um bebê foi assassinado com um tiro após grupos armados invadirem um hospital em Julho.

CC BY-NC-ND / ICRC / Virginie Nguyen Hoang

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“Nós vimos uma série de ONG’s saírem de lugares onde têm sido ameaçadas, saqueadas e a situação é insustentável para elas”, disse Ducarme. A organização de Ducarme também foi impedida de chegar à Mobaye, Zangba e outras regiões de risco. “Existem vários lugares que nós não podemos ter acesso, que nós não podemos ver o que está acontecendo, mas nós sabemos que é muito preocupante”, disse a líder do MSF no país.

O subsecretário geral da ONU para assuntos humanitários e coordenador da assistência de emergência, Stephen O’Brien, esteve na República Centro-Africana em agosto deste ano e disse que testemunhou “os primeiros alertas de genocídio”.

Em comunicado dirigido às Nações Unidas, O’Brien diz que está “extremamente alarmado pelo aumento e atrocidades da violência brutal e desnecessária no país desde o começo de 2017”. No documento, o membro da ONU ainda diz: “Deixe-me ser claro: se ajuda futura não vier, operações humanitárias serão interrompidas, deixando crianças sem proteção, pais sem comida para alimentá-las, famílias inteiras sem acesso à saúde preventiva”.

Conflito interno

Localizada no centro do continente africano, a República Centro-Africana é um dos países mais pobres do mundo, ocupando a última posição do Índice de Desenvolvimento Humano. Em 2012, milícias mulçumanas (Seleka) contrárias ao governo tomaram algumas regiões no norte do país, forçando a população a sair dos locais onde aconteceram os ataques. Já em 2013, após o fracasso de um acordo de cessar-fogo entre o governo e as milícias mulçumanas, o presidente François Bozizé foi deposto pelos Seleka e, como resposta, milícias cristãs (anti-Balaka) foram formadas, dividindo o país em um conflito armado entre os dois grupos rivais.

A deposição de Bozizé acirrou a rivalidade política. A República Centro-Africana tem 65% da sua população cristã e 15% mulçumana. Após a queda do governo e a auto proclamação de presidência do líder mulçumano Michel Djotodia, os Seleka se fragmentaram em outras forças que também entraram em conflito entre si. Orientados etnicamente, esses grupos expandiram o alcance de um conflito antes travado entre duas forças.

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