Colombia: ‘Governo e oligarquia estão assustados’, diz porta-voz da Farc no Brasil

Oliverio Medina afirmou que governo e elites colombianas querem 'arrasar' o acordo de paz que levou à transformação do grupo guerrilheiro em um partido político

Esteja sempre bem informado
Receba todos os dias as principais notícias de Opera Mundi

Receba informações de Opera Mundi

Oliverio Medina, porta-voz do partido político Frente Alternativa Revolucionária do Comun (Farc) no Brasil, afirmou nesta terça-feira (12/09) que o governo colombiano e a oligarquia do país estão “assustados” com o processo de paz levou à transformação do antigo grupo guerrilheiro em força civil.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

“O governo e a oligarquia estão assustados pois nós não demos um passo atrás”, disse Medina em evento ocorrido em São Paulo.

O colombiano ainda afirmou que as intenções do governo e das elites eram de “arrasar” o acordo de paz que levou à transformação do grupo guerrilheiro em um partido político: “Nós não podemos confiar naqueles que nos oprimiram durante toda nossa história. Eles queriam arrasar o processo de paz, mas nós não vamos deixar”.

Medina ainda destacou que a intenção de seu partido é buscar a paz na Colômbia e conduzir o país para sua “segunda e total independência”. “Nós temos a convicção, temos a força e a vontade de lutar para que na Colômbia nunca mais exista guerra do governo contra o povo e, para isso, temos que criar as condições necessárias para constituir um governo que nos conduza à segunda e total independência. Não precisamos dos EUA pra nada”, disse o membro da Farc.

Lucas Estanislau

"Eles queriam arrasar o processo de paz, mas nós não vamos deixar", disse o colombiano

Papa pede reconciliação entre Colômbia e Farc

Cidade colombiana se prepara para ver população duplicar durante missa papal

Líder da Farc pede, em carta, perdão ao papa Francisco pelas vítimas da guerrilha

 

Padre desde 1975, tendo se dedicado às pastorais camponesas na Colômbia, Medina afirmou que os EUA estavam “por trás da guerra colombiana” e que forneciam “aviões, helicópteros, fardas, comunicações, especialistas e a CIA” para a repressão da guerrilha.

“Os EUA não fizeram isso apenas na Colômbia. Veja como está a Venezuela”, disse o colombiano que destacou a soberania popular do país vizinho. “Os EUA terão que voltar com o rabo entre as pernas para Washington se se atreverem a entrar na Venezuela, pois o povo nunca será derrotado”.

Medina também afirmou que existe “uma grande mobilização na Colômbia a favor da paz” e que “a saída para o camponês não é agredi-lo, mas fazer escolas, postos de saúde, abrir estradas e criar condições dignas no campo para que possam viver”.

“Esse acordo de paz tem muitas coisas pontuais. O governo está comprometido a não disparar as armas da República contra jornalistas, camponeses, indígenas, afrodescendentes, operários. Chega de violência por parte dos governos, pois na Colômbia essa violência oficial se converteu em forma de governar”, disse o porta-voz da Farc.

Solidariedade e união também foram lembradas por Medina, dizendo que “o Brasil tem sido colocado de costas para a América Latina” e que os povos latino-americanos “precisamos nos unir”.

Refugiado político

Oliverio Medina foi preso duas vezes no Brasil, em 2000 e em 2005, em uma ação conjunta da Polícia Federal brasileira com a Interpol a pedido do governo colombiano. Sob acusações de homicídio com fins terroristas, sequestro e outros crimes, o governo de extrema direita liderado pelo ex-presidente da Colômbia Alvaro Uribe pediu a deportação de Medina em 2005, o que deu origem a uma série de comitês brasileiros criados em solidariedade ao colombiano.

Em 2006, o Comitê Nacional para Refugiados concedeu a Medina o status de refugiado político, configurando uma decisão histórica no país, uma vez que a Colômbia não estava sob o domínio de um estado ditatorial nem em estado de exceção. No ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) negou o pedido de deportação do governo colombiano, sob a justificativa de que não seria permitido deportar uma pessoa refugiada política. 

Outras Notícias

X

Assine e receba as últimas notícias

Receba informações de Opera Mundi

Destaques

Publicidade

Faça uma pós agora!

Faça uma pós agora!

A leitura literária é um fator importante na construção de relações humanas mais justas. Do mesmo modo, a formação de leitores críticos é imprescindível para a constituição de uma sociedade democrática.

Por isso, torna-se cada vez mais urgente a abertura de novos e arejados espaços de interlocução qualificada entre os sujeitos que atuam nesse processo, em diversos contextos sociais.

A proposta do curso é proporcionar, por meio de discussões abrangentes e aprofundadas sobre a formação do leitor literário, uma reflexão ancorada principalmente em três áreas do conhecimento: a teoria literária, a mediação da leitura e a crítica especializada.

Leia Mais

A revista virtual
desnorteada

O melhor da imprensa independente

Mais Lidas

Últimas notícias

Os supersalários das Forças Armadas

Nossa reportagem levantou todos os salários de militares e encontrou centenas acima do teto, indenizações de mais de R$ 100 mil e valores milionários pagos no exterior