Papa vai defender indígenas em sua 6ª viagem à América Latina

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O primeiro papa latino-americano da história, que estudou no Chile e, como jesuíta, visitou o Peru, volta ao continente em um momento político particular

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O papa Francisco começa nesta segunda-feira (15/01) uma viagem ao Peru e ao Chile para defender os indígenas, visitar o coração da Amazônia e reanimar uma igreja devastada pelos escândalos de pedofilia. Esta será sexta viagem do papa à América Latina, mas mais uma vez ele vai evitar a Argentina, seu país de origem.

O primeiro papa latino-americano da história, que estudou no Chile e, como jesuíta, visitou o Peru, volta ao continente em um momento político particular. O Chile, primeira etapa da viagem, se encontra em plena transição política depois da vitória nas eleições presidenciais do magnata conservador Sebastián Piñera, que assumirá o cargo em março. O Peru, onde o papa desembarca no dia 18/01, vive um momento político delicado depois do indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori, pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski

Em Santiago, o sumo pontífice será recebido pela atual presidente, Michelle Bachelet. A dirigente laica promoveu medidas muito criticadas pela Igreja, como o casamento homossexual e a descriminalização do aborto.

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No Peru, Francisco será recebido por 3.500 representantes dos povos nativos, alguns procedentes da Bolívia e do Brasil
 
Coração da Amazônia
 
Em sua 22ª viagem internacional, o primeiro papa latino-americano, defensor dos pobres e excluídos, dará particular atenção aos povos indígenas, tal como fez no México, Equador, Bolívia, Paraguai e Colômbia.
 
Em Temuco, 600 km ao sul de Santiago, o papa encontrará a população mapuche (7% da população chilena) que ocupava um vasto território antes da chegada dos conquistadores espanhóis ao país, em 1541. Ele deve denunciar os abusos sofridos pelos mapuche, que lutam há décadas por seus direitos. Apesar de sempre pedir perdão aos indígenas por sua exclusão e ter se convertido em um defensor mundial deles, o papa pode ser mal recebido pela comunidade. Os mapuche contam com uma minoria radicalizada que protagonizou no passado violentos protestos, incluindo ataques a igrejas e seminários católicos.

Depois de Temuco, onde está prevista uma colorida missa com músicas indígenas, Francisco abrirá simbolicamente o sínodo especial de bispos dedicado à defesa da Amazônia e suas populações. Oficialmente, o sínodo será inaugurado em outubro de 2019, em Roma.

No Peru, um dos pontos altos da viagem será a visita a Puerto Maldonado, em plena região amazônica, onde reina a pobreza e a exploração, Francisco será recebido por 3.500 representantes dos povos nativos, alguns procedentes da Bolívia e do Brasil.

 

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Vítimas da ditadura

Vítimas da ditadura chilena também estão na agenda do papa. Em Iquique, ele se reunirá com duas pessoas perseguidas pelo regime militar de Augusto Pinochet na década de 1970. O gesto simbólico para recordar os anos mais sombrios da história recente do país.

O Vaticano não descartou que o papa também se reúna no Peru com familiares de vítimas de violações dos direitos humanos, indignadas com o indulto concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori.

"A visita do papa terá um papel positivo para a Igreja", acredita o embaixador do Chile na Santa Sé, Mariano Fernández, referindo-se aos estragos realizados em 2010 por um escândalo sexual. O religioso Fernando Kardima, declarado culpado de abuso sexual pelo Vaticano, foi condenado a se retirar "para uma vida de oração e penitência".

A recente intervenção do Vaticano na congregação laica peruana Sodalício de Vida Cristã busca aplacar as críticas de impunidade feitas pelas vítimas dos abusos sexuais cometidos pelo fundador da instituição, o laico Luis Fernando Figari. O acusado está atualmente confinado em Roma, sob proteção do Vaticano.

Argentina fica de fora

Depois do Brasil (2013), Equador, Bolívia e Paraguai (2015), Cuba (2015), México (2016) e Colômbia (2017), este é o sexto-giro latino-americano do papa, mas o argentino Jorge Bergoglio evita de novo seu país natal.

A exclusão da Argentina parece ser uma decisão pessoal, mas o historiador italiano Gianni La Bella, da Comunidade de São Egídio, avalia que ele “corre mais risco de ser manipulado em seu país”. Suas mensagens de paz e reconciliação podem ser interpretadas na Argentina como intervenções políticas e verdadeiras alfinetadas contra as medidas neoliberais do presidente Mauricio Macri, pensam alguns observadores, tanto no Vaticano como em Buenos Aires.

Seis cidades chilenas ou peruanos estão no roteiro de Francisco, de 81 anos, durante esse giro latino-americano que acontece de 15 a 21 de janeiro.

(*) Publicado originalmente na RFI Brasil
 

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