Partidos italianos encerram campanha marcada por incertezas

Eleições de 4 de março podem gerar Parlamento sem maioria; caso isso ocorra, nova votação poderá ser convocado no país

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Terminou a campanha eleitoral na Itália. Os partidos realizaram nesta sexta-feira (02/03) seus últimos comícios em vista das eleições legislativas de 4 de março e iniciaram um período de silêncio que só acabará às 23h do próximo domingo, após o fechamento das urnas.


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Líder nas pesquisas quando se considera os partidos individualmente, o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) escolheu Roma, seu principal bastião, para mobilizar seus eleitores e encerrar a campanha.

A partir das 17h, os principais expoentes do partido, como o candidato a primeiro-ministro Luigi Di Maio, a prefeita da capital, Virginia Raggi, e o fundador do movimento, Beppe Grillo, subiram em um palco montado na central Piazza del Popolo e cantaram sua vitória.

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"O movimento foi dado como morto a cada seis meses nos últimos cinco anos, e agora estamos aqui, com um apoio ainda maior em relação a 2013. Se naquela vez entramos no Parlamento como oposição, essa era termina hoje, e começa aquela como governo", afirmou Di Maio, de apenas 31 anos e vice-presidente da Câmara dos Deputados na última legislatura.

O candidato afirmou que teve acesso a pesquisas - cuja publicação está proibida no país há duas semanas - que mostram o M5S "a um passo da vitória". "Além dos números, vi que podemos vencer em todos os colégios majoritários do sul e em muitos do norte, assim alcançaremos a maioria para governar", acrescentou.

Em seguida foi a vez de Grillo, o fundador e ideólogo dos 5 Estrelas, que tem se mantido longe do debate político. "Fizemos uma coisa extraordinária. Derrotamos os partidos [tradicionais]", disse.

Esquerda

O Partido Democrático (PD), atrás do M5S nas pesquisas, preferiu não fazer um único grande evento de encerramento, mas sim diversos comícios pelo país, espalhando suas lideranças para garantir apoio em cada um dos colégios eleitorais italianos.

O ex-primeiro-ministro e líder da legenda, Matteo Renzi, escolheu sua Florença, onde é candidato ao Senado, e mirou no Movimento 5 Estrelas. "Nos envergonhamos de vocês e de sua linguagem, caros 5 Estrelas. Esse modo violento não faz mal ao PD, faz mal à Itália", declarou, do palco do teatro Obihall - seu plano inicial de fazer um comício ao ar livre foi abortado pelo mau tempo.

Renzi também voltou as armas contra Berlusconi, o líder da coalizão de direita, e a lista Livres e Iguais, formada por dissidentes do PD, a quem chamou de "profissionais da nostalgia". "Ambas essas categorias vivem em um mundo que não existe mais", reforçou.

O atual primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, candidato à Câmara, manteve a postura discreta e visitou um asilo, além de ter inaugurado novas salas de cirurgia em um hospital da capital. Como está no exercício do cargo, Gentiloni participou de poucos atos de campanha, papel que coube a Renzi.

Centro-direita

Líder nas pesquisas, a coalizão conservadora se dividiu no último dia da campanha. Já octogenário, Berlusconi preferiu passar seu último recado aos eleitores a partir de estúdios de televisão e se reuniu com seu indicado ao cargo de primeiro-ministro, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

"Estamos com tantas circunstâncias positivas: o 'sim' de Tajani, o 11º neto, o Milan na final da Copa da Itália. Me levantei nesta manhã, me olhei no espelho e sorri. Estou sereno em vista de domingo", disse o ex-premier a um de seus canais de TV.

Já Tajani assumiu as vestes de candidato: "Sempre fiz tudo por amor à minha pátria, sou italiano e tenho orgulho disso. Se minha pátria precisar de mim, eu estou disponível", disse, fazendo a ressalva de que a decisão sobre o futuro primeiro-ministro "cabe aos cidadãos e ao chefe de Estado".

Outro pilar da coalizão, o líder anti-imigração Matteo Salvini, da Liga Norte, discursou em um auditório em Milão e transformou a disputa eleitoral em uma concorrência pessoal com Renzi. "Que o povo escolha entre o futuro, que é a Liga, e o passado, que é Renzi. É um referendo: Renzi de um lado e Salvini de outro", disse.

As eleições na Itália serão no próximo dia 4 de março, após uma disputa cercada por incertezas devido à perspectiva de um Parlamento sem maioria clara, o que pode jogar o país em um impasse já vivido por Alemanha e Espanha nos últimos anos. Se isso ocorrer, caberá ao presidente Sergio Mattarella definir quem tem mais condições de construir um governo ou convocar uma nova votação.

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