'Não há indigente lá', diz senador brasileiro em visita à Coreia do Norte

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, senador Pedro Chaves afirmou que a iniciativa de criação do grupo parlamentar foi uma iniciativa de Collor, e que a ida à capital norte-coreana foi histórica

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O Senado Federal aprovou no último dia 30 de maio a criação do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Coreia do Norte, iniciativa que visa aproximar os dois países e que foi formalizada um mês depois de uma visita dos senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Pedro Chaves (PRB-MS) a Pyongyang.


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Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Chaves afirmou que a iniciativa de criação do grupo parlamentar, que terá 14 representantes brasileiros (7 senadores e 7 deputados federais, além de 14 indicados pela Coreia do Norte) foi uma iniciativa de Collor, e que a ida à capital norte-coreana foi histórica.

"Estivemos lá na última quinzena do mês passado e fomos muito bem recebidos. Foi quando [o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente sul-coreano Moon Jae-in] assinaram o tratado de paz na zona desmilitarizada. Eu e o senador Collor representamos o Brasil, fomos recebidos como chefes de Estado, com um tratamento maravilhoso", disse.

O parlamentar brasileiro destacou estar confiante que há espaço para a reunificação das duas Coreias, e que a alegria foi a tônica não só do lado sul-coreano, mas também entre a população da Coreia do Norte.

"Sentimos que a Coreia do Norte tem tudo a ver com a abertura […] houve por parte de todos os que participaram deste momento uma alegria incontida, com bandeiras por todos os lados. Famílias sabiam que poderiam se reencontrar a partir de agosto, com isso vai acabar a barreira e o país se tornará mais unido", avaliou.

Reprodução/Facebook

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De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o oitavo importador de produtos norte-coreanos, principalmente de peças para circuitos eletrônicos, de telefonia e para aparelhos de informática – nos últimos 20 anos, as trocas entre os dois países nesta área chegam ao R$ 1,2 bilhão. Já as exportações brasileiras são majoritariamente de produtos primários, como grãos, café, óleos e minérios.

Assim, os parlamentares brasileiros enxergam as possibilidades de aumento das relações comerciais e de amizade com os norte-coreanos, sobretudo no momento em que Kim vem se reaproximando da Coreia do Sul e, no dia 12 de junho, se encontrará com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Singapura, em outro encontro histórico.

Chamando o líder norte-coreano de "magnânimo", Chaves elogiou a iniciativa de Kim de se reaproximar de Seul e também destacou o cenário que encontrou quando teve a oportunidade de conhecer a capital norte-coreana, assim como conversar com populares norte-coreanos.

"Tive ao meu lado um tradutor que falava coreano muito bem e encontramos um povo feliz, embora o salário seja pouco, US$ 40, US$ 50 por mês. Eles têm saúde, educação, esporte, tem tudo o que desejam e o governo oferece. É um governo paternalista, ele [Kim] é adorado e não há quem fale mal do governo […] não existe indigente lá, são todos tratados pelo governo", afirmou o senador brasileiro.

Dando os méritos da iniciativa a Collor, Chaves revelou ainda que um evento será realizado nos próximos 15 dias na embaixada norte-coreana em Brasília, a fim de celebrar um novo momento nas relações entre Brasil e Coreia do Norte.

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