Judeus não eram o alvo inicial do atirador de Toulouse, revela polícia francesa

Ataque à escola judaica foi “improvisado”, teria confessado Mohamed Merah antes de ser morto

 

O professor e as três crianças que foram mortas na última segunda-feira (19/03) em um colégio judaico da cidade de Toulouse, na França, poderiam ainda estar vivas se não fosse por um desencontro do atirador Mohamed Merah com um dos seus verdadeiros alvos: um soldado do exército francês.

Segundo apuração do jornal britânico The Guardian, surgiu neste fim de semana a informação de que Merah, antes de ser executado em seu apartamento, confessou aos policiais que falhou em assassinar o último dos quatro militares que estavam em sua lista e foi obrigado a massacrar os alunos de Toulouse como “improviso”.  

Ele já havia atirado contra três soldados franceses que haviam servido no Afeganistão quando percebeu que sua quarta vítima havia saído de casa mais cedo do que o previsto. Surpreendido, ele dirigiu sua moto para o Liceu Ozar Hatorah, onde alvejou três crianças com menos de dez anos que estavam aguardando pelo ônibus escolar.

A reportagem do periódico britânico também revela que Merah enganou investigadores quando foi obrigado a prestar esclarecimentos sobre uma viagem que fez ao Paquistão e ao Afeganistão em novembro do ano passado. Embora tivesse alegado que tirou férias para encontrar uma noiva, mais tarde descobriria-se que ele, na realidade, havia partido em busca de armas de grosso calibre. Autoridades francesas disseram não ter sido encontrada nenhuma evidência de que o assassino possuía vínculos com a organização terrorista al Qaeda.

A polícia prendeu na última quarta-feira (21/03) o irmão mais velho de Merah e sua cunhada para que pudessem ser interrogados por oficiais anti-terrorismo do país. Abdelkader alegou não ter motivado seu irmão em momento algum, mas se disse “orgulhoso” dos feitos de Toulouse.

A comunidade muçulmana na França recebeu a notícia da identidade do assassino com consternação. Em entrevista ao The Guardian, Khadija Ba, uma ativista nascida no Marrocos, disse que "estava rezando para que [o atirador] não fosse alguém com origem estrangeira”: "Quando disseram seu nome, nossos corações se partiram. Nós então soubemos que, mais uma vez, seríamos culpados por mortes horríveis. Culpados por tudo. Ele era um cidadão francês que massacrou outros cidadãos franceses, mas agora todos ouviram que ele se chamava Mohamed e que era muçulmano."

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