FMI confirma calote de € 1,6 bi e declara Grécia oficialmente 'em moratória'

Fracasso em negociação por acordo com credores do fundo foi confirado às 19h quando situação de default técnico entrou em vigor

Com a impossibilidade de um acordo entre a Grécia e os credores internacionais para uma extensão do plano atual de resgate, a Grécia entrou às 19h desta terça-feira (30/06) em default técnico por não transferir para o FMI (Fundo Monetário Internacional) o valor da parcela de 1,6 bilhões de euros, tornando-se assim o primeiro país de economia considerada "desenvolvida" a dar calote nos últimos 71 anos.

"Confirmo que o pagamento de cerca de 1,6 bilhão de euros devidos pela Grécia ao FMI hoje não foi recebido. Informamos ao Diretório Executivo que a Grécia está agora em moratória e só pode receber recursos assim que os atrasos tenham sido compensados", disse Gerry Rice, porta-voz da instituição, em breve comunicado.

Com o ato, o país heleno também se torna o maior devedor do fundo internacional, uma vez que deve no total 35 bilhões de euros (R$ 120 bilhões, aproximadamente), como resultado do plano de resgate acordado em 2010. Até o final do ano, o país ainda deve pagar 5,5 bilhões de euros (R$ 19 bilhões).

Agência Efe

Tsipras tentou chegar a acordo em reunião hoje com líderes europeus

Regimento do FMI

O fundo não concede prazo de carência, como foi indevidamente interpretado por alguns analistas. Assim, minutos após o calote, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, notificará o conselho, o que poderá ter consequências nas cláusulas de default nos acordos feitos pelo governo grego por credores europeus.

De acordo com Lagarde, nos últimos 30 anos não foi permitido pelo FMI a realização de pagamentos fora do prazo, sinalizando que não será feita concessão aos gregos.

O calote pode ter como consequência para o país a perda imediata do acesso aos recursos do FMI e, caso a situação não seja resolvida rapidamente, a Grécia poderá perder o direito ao voto no organismo e até ser expulso do fundo.

Agência Efe

Após o anúncio de que será realizado um referendo para decidir se gregos devem ou não aceitar acordo; milhares protestaram pelo 'não'

A situação deixa o país mais próximo de uma possível saída da zona do euro, chamada de 'grexi't. Se confirmado o cenário, as consequências para a União Europeia são consideradas imprevisíveis.    

Sem acordo

Após uma reunião extraordinária feita por teleconferência, os ministros das Finanças da Europa rejeitaram hoje estender o plano atual de resgate para a Grécia, mas concordaram em se reunir amanhã para discutir um novo programa de auxílio, que foi pedido pelo governo de Alexis Tsipras.

Nesta terça, manifestantes favoráveis ao acordo protestaram em Atenas:

O chefe do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que "seria maluco" estender o programa vigente nas atuais circunstâncias. Segundo ele, além disso, era “muito tarde” para estender o atual programa de resgate grego e que o novo plano a ser possivelmente discutido pode impor “condições mais duras” do que anteriormente.

Auditoria da dívida

De acordo com o Comitê para a Abolição da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM, na sigla em inglês), que realizou uma auditoria da dívida, que será divulgada amanhã no país, revela que os mecanismos adotados pelos acordos de 2010, criaram “uma quantia substancial de nova dívida aos credores bilaterais e o FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), ao mesmo tempo que gerou custos abusivos e que agravaram ainda mais a crise”. De acordo com o grupo, “a maioria dos fundos emprestados foram diretamente transferidos para instituições financeiras. Em vez de beneficiarem a Grécia, eles aceleraram o processo de privatizações, através do uso de instrumentos financeiros”, diz o levantamento.

Εισηγητική Έκθεση Απολογισµού και Ισολογισµού

Elaborado por Stavros Papaioannou, 2013 – p. 90

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Eurogrupo rejeita extensão de resgate atual para Grécia, mas discute novo pacote nesta quarta

Segundo dia de feriado bancário não provoca violência, mas já afeta população grega

 


Assim, o grupo conclui que “a dívida pública grega em junho de 2015 é insustentável, uma vez que atualmente a Grécia não é capaz de servir a sua dívida sem prejudicar seriamente a capacidade de cumprir obrigações básicas de direitos humanos. Para além disso, o relatório aponta provas por cada credor dos casos de dívidas ilegais, ilegítimas e odiosas”.

História dos calotes

O primeiro calote que se tem notícia ocorreu na própria Grécia em 377 antes de Cristo, quando uma dezena de cidades gregas (polis) decidiram não cumprir com suas obrigações financeiras. Já o país que mais vezes recorreu ao calote é a Espanha, que o fez 14 vezes ao longo da história.

Agência Efe

Fechamento de bancos não gerou tensão ou violência no país

Estudo realizado pelos economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estudam os defaults de dívidas soberanas, ou seja, as declaradas pelo Estado, desde 1800 até 2000, revela que os calotes não são eventos isolados dentro do sistema capitalista, mas “partes inerentes da economia global”, como afirmou Rogoff à BBC Mundo.

O levantamento aponta que nos 200 anos pesquisados, ocorreram 250 cancelamentos de pagamentos por parte das nações, ou seja, em média um por ano. Os mais afetados são, de acordo com as Nações Unidas, os países em desenvolvimento.

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