Acordo da Petrobras de R$ 10 bi com investidores dos EUA atende ao 'deus mercado', dizem petroleiros

Presidente da Petrobras, Pedro Parente, propôs ressarcir investidores que compraram ações da empresa brasileira nos Estados Unidos

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Nesta quarta-feira (03/01), a Petrobras divulgou que propôs um acordo de quase R$ 10 bilhões (exatos R$ 9,62 bilhões, ou US$ 2,95 bilhões) para ressarcir investidores que compraram ações da estatal nos Estados Unidos – a Justiça norte-americana precisa aprovar a "operação". Se efetivado, o acordo encerrará as ações contra a companhia nos tribunais daquele país.


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Em nota intitulada "Ao Deus Mercado, tudo", a Federação Única dos Petroleiros (FUP) critica duramente o acordo com investidores americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal e afirma que a iniciativa objetiva satisfazer unicamente os interesses do capital privado e da especulação financeira.

"Por que a Petrobras está pagando um valor maior do que aquele que ela mesma reconheceu como desviado pela corrupção?", questiona a FUP. "O mercado está aproveitando o momento e usa a Lava Jato, que, disfarçada com o combate à corrupção, dá oportunidade a esse tipo de extorsão. Afinal, a quem a atual gestão atende?"

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Para petroleiros, acordo de empresa com investidores atende somente ao mercado

De acordo com os petroleiros, ao mesmo tempo em que a atual gestão da Petrobras "paga fácil para o mercado americano valores questionáveis, tenta renegociar a dívida interna tributária com o governo federal, ou seja, deixa de pagar dinheiro ao governo (brasileiro) para pagar ao mercado financeiro americano".

A FUP afirma que as decisões do presidente da companhia, Pedro Parente, vão na contramão dos interesses da indústria nacional para apoiar e beneficiar os fundos financeiros americanos. "O que aconteceu hoje reforça e fornece mais elementos que aumentam a percepção e geram desconfianças sobre a possibilidade de existência de conflitos de interesse e tráficos de influência na companhia e no seu plano de privatizações."

A federação cita o professor de Ciência Política e Economia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) William Nozaki, que, em texto publicado na revista CartaCapital, afirma que "a despeito de alardear a eficiência de seu novo programa de governança, compliance e de seus testes de integridade para a nomeação do alto escalão da companhia (background check), é no mínimo curioso notar que parte dos diretores e conselheiros da Petrobras permanece atuando ou atuou em segmentos empresariais diretamente interessados no desmonte da Petrobras, com destaque para conexões que deságuam no setor financeiro".

(*) Publicado em Rede Brasil Atual


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