Notas internacionais: A Amazon venceu a Amazônia

Mudança de posição do Itamaraty em relação a Israel, tensões entre Estados Unidos e a crise no governo da Áustria: destaques desta terça, 21 de maio de 2019

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

A Amazon venceu a Amazônia. A empresa Amazon Inc. venceu 9 países amazônicos na disputa pelo domínio de internet .Amazon. Outras regiões do mundo, como a Patagônia e a África já haviam passado pela mesma disputa e conseguiram preservar os domínios: .Patagonia e .Africa. A decisão foi tomada em 17 de maio pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN) e atribui o domínio .Amazon para a empresa de mesmo nome em regime de exclusividade diante do impasse entre a empresa e os 9 países da região amazônica. O Itamaraty emitiu nota lamentando a decisão e dizendo que a ICANN é uma entidade de direito privado da qual os Estados não são membros e que não levou em conta os pareceres de seu Comitê Consultivo Governamental (da ICANN) que apontavam para a necessidade de preservação do interesse público dos países amazônicos, “em particular a necessidade de defender o patrimônio natural, cultural e simbólico dos países e povos da região amazônica”.

Itamaraty declaradamente pró-Israel. Em suas últimas notas públicas sobre questões relacionadas à Palestina, o Itamaraty mudou radicalmente de tom. É o que aponta levantamento feito por João Paulo Charleaux no Nexo Jornal. Ele comparou as 12 notas emitidas desde 2012, antes do governo Bolsonaro, portanto, e as duas feitas em seu governo. As mudanças consistem em,primeiro, deixar de advertir Israel por eventuais violações do direito internacional humanitário na Faixa de Gaza, mas com a manutenção das advertências aos palestinos, e, em segundo, não fazer mais nenhuma menção à solução de dois Estados (preconizada pela ONU). Questionado pelo jornalista, o Itamaraty alegou que com a chegada de Bolsonaro à presidência “a política externa passa por alterações e ajustes”.

Aumenta tensão no Iraque. Um foguete Katyusha alcançou a Zona Verde (área mais fortificada da cidade) da capital do Iraque, Bagdá, no último final de semana. Neste local está o edifício da embaixada americana e prédios governamentais. Nenhum grupo assumiu até agora a autoria do lançamento do foguete. Há algumas semanas o governo dos EUA tem dado ordem de retirada para seus funcionários que trabalham no Iraque e o próprio Pompeo esteve em Bagdad para tratar do que eles chamam de escalada de ataques por parte do Irã.

Irã reage aos EUA. O episódio do foguete no Iraque faz parte do contexto de elevada tensão no Oriente Médio nos últimos dias com fortes ataques verbais partindo de Trump. Nas palavras do presidente americano, nos últimos dias, “se o Irã quiser brigar, ser o fim oficial do Irã. Nunca ameacem os EUA de novo!”. Ele enviou a mensagem horas depois de noticiado o lançamento de um foguete na Zona Verde de Bagdad. Já o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Hossein Salami, disse, segundo ao Reuters: “não estamos procurando guerra, mas tampouco temos medo dela”. O Irã ameaça fechar o estreito de Ormuz caso a agressividade norte-americana permaneça.

Alexandre, o Grande, não conseguiu, e Trump também não conseguirá. Ainda sobre as respostas dos iranianos a Trump. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif afirmou que o presidente americano “espera alcançar o que Alexandre (o Grande), Ghenghis (Khan) e outros agressores não conseguiram. Os iranianos se mantiveram de pé por milênios enquanto seus agressores se foram. Terrorismo econômico e insultos genocidas não ‘terminarão com o Irã’. Nunca ameace um iraniano. Tente respeito. Isso funciona!.

Europeus não apoiam EUA contra Irã. Sobre o conflito dos EUA como Irã, tanto a chancelaria francesa, como a alemã, afirmam que “a posição americana, de aumentar a pressão e as sanções, não nos convém”.

Maduro chama eleições antecipadas para o parlamento. A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela decidiu ontem (20/05) que vai estender seus trabalhos até o fim de 2020. Seus parlamentares foram eleitos em 2017 e agora aprovaram estabelecer a vigência de funcionamento da Assembleia até 31 de dezembro de 2020, segundo Diosdado Cabello, seu presidente. Na esteira destas declarações, Maduro também propôs antecipar as eleições da Assembleia Nacional, presidida pelo líder da oposição, Juan Guaidó, cujos representantes foram eleitos em 2015 para um mandato de 5 anos.

Imprensa chinesa reage aos ataques de Trump. Em referência aos atuais ataques comerciais por parte de Trump contra a China, o jornal da agencia Xinhua e o Diário do Povo (do partido comunista chinês) informaram que “Toda a China e seu povo estão sendo ameaçados”. Em outro veículo, a emissora CCTV, houve a leitura de uma declaração com o questionamento: “depois e 5 mil anos de vento e chuva, a quê a nação chinesa não resistiu?”. Já o jornal Global Times, em inglês, acusa Trump de enganar seu próprio povo e diz que as sobretaxas aos produtos chineses causa “danos autoinfligidos e são de difícil sustentação a longo prazo”, e complementa: “A China, por outro lado, vai evitar se prejudicar”. Há também uma enxurrada de memes e piadas nas redes sociais chinesas, como a Weibo, ridicularizando turistas americanos e o presidente Trump. Esse levantamento foi feito pelo jornalista Lioman Lima, para a BBC News Mundo.

Trump faz gol contra a Huawei. Ainda sobre China e guerra comercial. No dia de ontem (20/05), Trump conseguiu uma vitória contra a empresa chinesa que ele tem demonizado, a Huawei. A Google rompeu com a empresa depois de um decreto do governo que proíbe empresas americanas a estabelecerem negócios com a gigante chinesa da tecnologia de comunicações. Deste modo, usuários de aparelhos da Huawei poderão ficar sem acesso a aplicativos como o Google Maps e o Gmail.

Crise de governo na Áustria. Com a crise instalada no governo da Áustria, após o vazamento de um vídeo (“vídeo de Ibiza”) em que o vice primeiro ministro, Heinz-Christian Strache, aparece oferecendo contratos públicos a uma empresa russa em troca de apoio financeiro na campanha, cinco ministros do partido de Strache (Partido da Liberdade - FPÖ) deixaram o governo de Sebastian Kurz. O FPÖ é um dos mais extremistas partidos da Europa, tendo sido fundado por oficiais da SS nazista.

Marcha do Silêncio no Uruguai. Há 24 anos, desde 1996, os uruguaios marcham no dia 20 de maio em memoria aos desaparecidos e desaparecidas da ditadura (1973-1985). Ontem não foi diferente e mesmo com frio e chuva milhares de pessoas caminharam pela avenida 18 de julho, no centro de Montevidéu, na já mundialmente conhecida Marcha do Silêncio. 

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