Prioridade dos Brics é encontrar novas fontes de crescimento econômico

Cooperação multifacetada entre os países dos Brics desenvolve-se com intensidade não só na economia, mas também na política externa com foco na segurança, além na cultura e em iniciativas humanitárias

Yury Lezgintsev

São Paulo (Brasil)

Opera Mundi publica, a partir desta segunda-feira (11/11), uma série de três artigos sobre os Brics, cuja reunião de cúpula acontece na quarta (13/11) e quinta (14/11) da próxima semana. Neles, o cônsul-geral da Rússia em São Paulo, Yury Lezgintsev, conta um pouco da história do bloco que reúne Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul e discute os desafios para o futuro.

A prioridade dos Brics, sem dúvida, é a situação mundial econômica e financeira. Precisamos encontrar em conjunto mais fontes de crescimento econômico, aumentar os laços de cooperação. Neste contexto, podemos mencionar o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento). Porém, a cooperação multifacetada entre os países dos Brics desenvolve-se com intensidade não só na economia, mas também na política externa com foco na segurança, além na cultura e em iniciativas humanitárias.

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O processo de formação de um novo sistema mundial policêntrico prevê o estreitamento da cooperação mutuamente vantajosa e da parceria frutífera, o que por sua vez representa em pleno a principal filosofia de cooperação no âmbito dos Brics. Nos últimos 10 anos, foi criado o mecanismo completo de cooperação estratégica que se desenvolve em várias áreas. Os Brics conseguiram consolidar a ideia da necessidade de um mundo mais justo, mais democrático e policêntrico. Os cinco compartilham a visão de segurança inalienável para todos, da ação coletiva para resolução de conflitos via métodos diplomáticos com base em direito internacional e do papel central da ONU, a partir da não aceitação de uso da força para a resolução de problemas internacionais.


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Foi preciso um trabalho conjunto escrupuloso no âmbito de grupos de trabalho dos Brics. Como exemplo, as atividades do Grupo de Trabalho contra terrorismo e segurança internacional de informação. É um exemplo vivo de como mecanismos, órgãos e institutos dos Brics se tornam um agrupamento num exemplo de mundo multipolar. A cooperação entre os cinco tem mais de 70 formatos. Entre alguns exemplos, as medidas de fortalecimento de transparência e confiança no espaço, área de muitos interesses comuns entre os países dos Brics, ou o tema de combate a xenofobia, racismo, neonazismo ou nacionalismo agressivo. Continua-se o trabalho de aperfeiçoamento do sistema global de governança, amplia-se a cooperação no âmbito do FMI, G-20, OMC. Os cinco defendem os princípios da arquitetura mundial de comércio inclusiva, aberta e mutuamente vantajosa com o papel fundamental da OMC como o palco universal da elaboração das regras do comércio internacional. Tudo isso representa e contribui para um mundo multilateral.


Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brics: parceria em busca de novas fontes de crescimento econômico

A presidência da Rússia no Brics em 2020 será realizada sob o tema de Parceria dos Brics em interesse de estabilidade global, segurança conjunta e crescimento de investimentos, o que, em plena escala, define as nossas prioridades. Nosso objetivo principal é fortalecimento pleno de parceria estratégica entre os cinco dos Brics.

Se falarmos em termos mais concretos, entre nossas prioridades podem ser mencionadas uma parceria sobre questões da Quarta Revolução Industrial, estabelecimento da Rede de Parques Científicos e Incubadoras de empresas de tecnologia, um Centro de Pesquisa e desenvolvimento de vacinas, cooperação no campo da aviação regional, o lançamento da Plataforma de Pesquisa Energética, o estabelecimento da Aliança de Mulheres dos Brics e muitas outras iniciativas.

Cultura

Uma herança histórica cultural bastante rica e o potencial criativo dos povos dos Brics formam uma base forte para a ampliação da parceira na área humanitária, desportiva e cultural. Desenvolvem-se ativamente os contatos entre os círculos acadêmicos, instituições de sociedade civil representantes dos jovens.

Além disso, o plano é intensificar a cooperação educacional: fortalecer a prática de intercâmbio acadêmico e estudantil (os Jogos dos Brics na Rússia em 2020), cooperar em turismo, fortalecer a cooperação educacional à distância com uso de novas tecnologias, promover a divulgação de trabalhos artesanais dos Brics, entre outros. 

A integração de ações nas áreas de economia criativa e audiovisual está entre os temas mais atuais discutidos na quarta Reunião dos Ministros da Cultura dos Brics, que foi realizada no dia 11 de outubro, em Curitiba. 

O encontro reuniu o ministro da Cidadania, Osmar Terra; o diretor do Departamento de Museus e Relações Exteriores da Federação Russa, Vladislav Kononov; o ministro da Cultura da Índia, Prahlad Singh Patel; o vice-ministro da Cultura e Turismo da República Popular da China, Zhang Xu; e a vice-ministra de Esporte, Artes e Cultura da África do Sul, Nocawe Mafu. Os cinco países dos Brics têm potencial mercadológico e abrem uma gama de oportunidades para que setores da indústria criativa e do audiovisual encontrem novas parcerias e mercados para suas produções.

Os ministros ressaltaram que a possibilidade de crescimento da economia criativa é grande e pode atingir uma participação maior no Produto Interno Bruto (PIB) desses países. É uma área que vai muito além da cultura: ela movimenta a moda, artesanato e até o turismo, bem como a geração de novos empregos.


(*) Yury Lezgintsev é doutor em ciências econômicas pela Academia de Economia e Serviço Público da Rússia e atual cônsul-geral da Rússia em São Paulo. Já serviu no Peru, nos Estados Unidos, na Venezuela e no Chile. Apoio: Sputnik Cultural

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