Hoje na História: 1973 - Golpe militar inicia ditadura no Uruguai

Pretexto de golpe era necessidade de reforma constitucional que reafirmasse princípios democráticos; um dos presos da ditadura foi José 'Pepe' Mujica

Max Altman

São Paulo (Brasil)

Atualizada às 8h em 27/06/2016

O discurso do presidente do Uruguai, Juan Maria Bordaberry, em 27 de junho de 1973, transmitido através do rádio e da televisão marca o início da ditadura no país. Naquele dia, Bordaberry com o apoio das Forças Armadas, perpetra o golpe de Estado, fechando o Senado, a Câmara dos Deputados e anunciando a criação de um Conselho de Estado para substituir o parlamento. O pretexto era a necessidade de uma reforma constitucional que reafirmasse os princípios republicanos-democráticos. Três dias depois, Bordaberry tornou ilegal a Convenção Nacional de Trabalhadores, prendendo seus dirigentes.

A ditadura uruguaia se estendeu de 27 de junho de 1973 a 28 de fevereiro de 1985, marcada pela proibição dos partidos políticos, a ilegalidade dos sindicatos, a censura à impresa e a perseguição, prisão, desaparecimento e assassinato de opositores.

Durante a década de 1960, houve um processo de deterioração social e política com um notável aumento dos conflitos, que incluiu a luta armada de guerrillas urbanas, entre as quais se destacou o Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros. Grupos de extrema-direta como o Esquadrão da Morte e a Juventude Uruguaia de Pé também entraram em ação. Entrementes, as Forças Armadas foram assumindo crescente protagonismo político até que, com o apoio do  presidente Bordaberry, decidiram dar um golpe de Estado.


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Em 1972, o exército e a polícia prenderam os dirigentes tupamaros Raul Sendic, José Mujica, Eleuterio Huidobro e outros seis por delito de sedição. Permaneceram encarcerados em quase total incomunicação até o fim da ditadura militar. Também em condições muito duras estiveram reclusos os deputados Jaime Perez, Wladimir Turiansky, Gerardo Cuesta e José Luis Massera.

Juan Maria BordaberryBordaberry, desejando devolver os militares aos quarteis, nomeia em fevereiro de 1973 o general Antonio Francese como Ministro da Defesa. O Exército e a Força Aérea desconheceram a autoridade do novo ministro. Os militares queriam não só “trazer segurança para o desenvolvimento nacional” como também “participar da reorganização moral e material do país’.

O conflito institucional levou a que Bordaberry aceitasse determinadas condições dos militares no chamado Acordo de Boiso Lanza. Uma das consequências do acordo foi a criação do Conselho de Segurança Nacional.

Na mesma madrugada em que se gestou o golpe de Estado, a Convenção Nacional de Trabalhadores convocou a greve geral mais longa da história do país, que durou 15 dias.

Em 1975,  Bordaberry imaginou a criação de um órgão executivo que não tivesse de ser eleito pelo voto popular, o Conselho da Nação, integrado por personalidades, membros da Suprema Corte, figuras de grande relevância e comandantes das Forças Armadas.

Em 1º de junho de 1976, Bordaberry condicionou a permanência no cargo com a aceitação de suas propostas: presença dos militares na condução da República, institucionalizada por meio de reforma constitucional; soberanía nacional exercida mediante plebiscitos ou pelo Conselho da Nação; proibição das ideias e agrupamentos marxistas; eliminação da democracia representativa; o presidente da República seria eleito para um período de cinco anos pelo Conselho.

A proposta desagradou os militares que acabaram por rechaçá-la. Em 11 de junho ocorreu a última tentativa de conciliação. Nem os generais aceitaram o plano do presidente, nem este concordou em firmar centenas de proscrições de políticos.

No dia seguinte, a Junta de Generais enviou uma carta a Bordaberry informando ter perdido a confiança e retirando o apoio, dando conta do fato ao vice-presidente Alberto Demicheli.

Em 12 de junho, Demicheli assume a presidência, substituído em 1° de setembro por Aparício Mendez, que é empossado para um período de cinco anos. Em sentido estrito, nem os militares destituíram, nem este renunciou. Tampouco o fez Demicheli. Até 1º de março de 1977, quando deveria terminar o mandato de Bordaberry, coexistiram de jure três presidentes.

Em 30 de novembro de 1980, o povo rechaçou mediante plebiscito o projeto de reforma constitucional proposto pelo regime, dando começo a um lento processo de abertura política.

Depois das eleições de 25 de novembro de 1984 em que triunfa o Partido Colorado, assume finalmente em 1º de março de 1985 Julio Maria Sanguinetti, retornando o poder aos civis.

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