Notas internacionais: Querem prender Correa a todo custo

Carta de Trump a Bolsonaro, Bachelet se pronuncia sobre sanções contra Venezuela, último ranking do PISA: destaques desta sexta-feira

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

Cartinha de Trump. Bolsonaro recebeu uma cartinha de Trump. Com direito a bilhete de próprio punho do presidente norte-americano, segundo a imprensa, chegou o a agrément para que Eduardo Bolsonaro assuma a embaixada do Brasil em Washington. Trump teria escrito que “mal pode esperar para trabalhar com Eduardo”. O deputado Eduardo, no entanto, ainda tem uma sabatina pela frente, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado e posteriormente uma votação no plenário da nossa câmara alta. Imagina-se que será uma sabatina bastante concorrida e uma votação não menos controversa, dada a patente inexperiência do “escolhido” para o cargo.

Brasil em 63 entre 70 na Educação. Segundo a última edição do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) realizado de três em três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), entre 70 países avaliados, o Brasil ficou em 63º lugar. A ministra da Educação e Pesquisa da Estônia, país que ficou em primeiro lugar na avaliação, disse que o sucesso de seu país na avaliação se deu porque por lá “a educação é valorizada pela sociedade, o acesso é universal e gratuito e há ampla autonomia (de professores e escolas)”. “Os estonianos realmente acreditam que a educação abre uma ampla gama de possibilidades”, acrescenta a ministra, em reportagem da BBC.

Bachelet contra medidas de Trump. Ontem, finalmente, Bachelet, a Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, se pronunciou sobre o embargo econômico norte-americano sobre a Venezuela. Segundo um relatório divulgado ontem (08/08) na sede da ONU em Nova York, as medidas adotadas por Trump afetam os direitos humanos dos venezuelanos e não trazem nenhuma forma de amparo para mitigar o impacto nos setores mais vulneráveis da população. Segundo suas palavras, a alta comissária, “teme que (as sanções) tenham implicações maiores nos direitos à saúde e à alimentação, em particular, em um país onde já existe uma séria situação de escassez de bens essenciais”.

Venezuela marchará amanhã, 10. Na Venezuela está em preparação uma marcha para amanhã, sábado (10/08), como forma de protesto contra as recentes medidas de bloqueio econômico anunciadas por Trump. O impacto das medidas é grande e mesmo atores políticos da oposição venezuelana têm rechaçado o bloqueio. Em entrevista à Globovisión, o ex-candidato presidencial e dirigente do partido Avanzada Progressista, Henri Falcón, disse que as sanções podem gerar uma crise grave e que afetaria os setores mais necessitados prejudicando a distribuição de alimentos, medicina e serviços públicos em geral. Segundo ele, “o bloqueio não gera um efeito real frente ao governo, mas pelo contrário, gera coesão”. Outro opositor, Rafael Curvelo, do Alternativa Uno Juntos, disse que o bloqueio “é um problema grave que nos afeta a todos”. Deputados da Assembleia Nacional em desacato como, Melva Paredes, Manuel Texeira e Calros Melo, também se posicionaram contra e defendem o processo de diálogo de Barbados.

Querem prender Correa a todo custo. A juíza equatoriana Daniella Camacho acolheu uma solicitação da procuradora geral do Equador, Diana Salazar, de determinar a prisão preventiva do ex-presidente Rafael Correa devido a um caso de supostos subornos envolvendo o partido de Correa quando era presidente, Alianza País. Hoje o partido está dirigido e conformado por correligionários do presidente Lenín Moreno, traidor de Correa e do AP. A denúncia é bastante política e imbricada e faz alusões a uma rede de captação de fundos a partir de empresas prestadoras de serviço ao Estado para financiamento de campanhas eleitorais. Correa vive na Bélgica desde que deixou a presidência do Equador em 2017. Ele sofre perseguição política semelhante a Lula, no Brasil, e Cristina Kirchner, na Argentina. O então vice-presidente do Equador, Jorge Glas, encontra-se preso neste momento.

Bicentenário de Boyacá se deve a Bolívar. Ao longo desta semana, Colômbia e Venezuela relembraram e comemoraram o Bicentenario da Batalha de Boyacá vencida sob o comando de Simón Bolívar em 7 de agosto de 1819. Na época foi derrotado o general espanhol Barreiro na então designada região de Nova Granada. A data é feriado nacional na Colômbia e marca o dia da independência nacional do país, apesar de obviamente, a gestão de Iván Duque ter tratado de comemorar a data sem grandes menções ao papel de Bolívar para o feito.

Itaipu Gate I. Voltemos ao Itaipu Gate. O impeachment de Marito foi engavetado. A sessão da Câmara dos Deputados que debateria o pedido de julgamento político protocolado na terça-feira (06/08) por 32 deputados não foi realizada, pois apenas 39 parlamentares dos 80 apareceram. Falta de quórum, portanto. Horacio Cartes colocou panos quentes e sua ala no partido Colorado decidiu não fazer o julgamento prosperar. Seriam necessários 53 votos para aprovação do juízo na Câmara e 30 no Senado, de 45. A oposição no Senado não tem nem 20. Foi criada, no entanto uma CPI para investigar a atuação de Marito e Velázquez, o vice, nas negociações do acordo que gerou a polêmica ata de 24 de maio. De acordo com Pedro Ferreira então presidente da ANDE (Administração Nacional de Eletricidade) o acordo poderia custar entre 300 e 400 milhões de dólares ao Paraguai.

Itaipu Gate II. Ainda sobre o Paraguai, o jornal ABC Color de hoje, o mesmo que revelou as mensagens entre Marito e Ferreira ao longo desta semana, traz mais informações. Segundo o periódico, as negociações entre Brasil e Paraguai começaram em março de 2019. O Brasil determinou as datas dos encontros, os itens a serem negociados, redigiu a proposta de Ata e já queria assinar um contrato no mesmo dia 24 de maio, mas a “delegação paraguaia”, composta apenas pelo embaixador do Paraguai no Brasil “se lembrou” que a ANDE deveria ser consultada. Ferreira, administrador da ANDE, só veio conhecer a Ata no dia 4 de junho e lhe foi dado 30 dias para formalizar o acordo. O resto da história já conhecemos. Ainda há muito a ser descoberto. O assédio brasileiro sobre a parte paraguaia e quais os benefícios que se calculava obter nos bastidores. E por quem?

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