Câncer de Chávez marca encerramento da campanha eleitoral na Venezuela

Candidatos e eleitores discutem saúde do presidente venezuelano às vésperas de pleito regional deste domingo

Marina Terra

Gustavo Borges/Opera Mundi

Eleitores do chavista Elias Jaua assistiram comício em Miranda depois de horas aguardando sob tempo ruim

Os candidatos a governo dos 23 Estados da Venezuela encerraram nesta quinta-feira (13/12) a campanha eleitoral, com o retorno do câncer do presidente Hugo Chávez protagonizando os discursos dos políticos do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e de alguns nomes de partidos da oposição, reunidos em torno da MUD (Mesa de Unidade Democrática).


Em uma tarde de temperatura amena e muita chuva, simpatizantes do atual governador de Miranda, Henrique Capriles, e do candidato chavista, Elias Jaua, se concentraram na capital, Los Teques. A eleição em Miranda é considerada a mais importante, não só pela importância do Estado no país, como também por promover uma espécie de repetição da eleição presidencial, com Capriles de um lado e o ex-vice-presidente do outro.

“Em 16 de dezembro daremos uma lição de moral a quem utilizou o governo para um projeto pessoal, um projeto econômico que não corresponde aos interesses do povo mirandino”, afirmou pela tarde Jaua, em referência a Capriles. “Estamos sendo abençoados por essa chuva; é uma benção que precisa cair sobre nosso comandante Hugo Chávez", continuou o ex-vice-presidente, acompanhado pelo candidato ao governo do Estado de Aragua, Tareck El Aissami.

Mais tarde, o vice-presidente Nicolás Maduro participou do encerramento da campanha de El Aissami no Estado de Aragua e, além de agradecer as demonstrações de solidariedade com a saúde do presidente na Venezuela e ao redor do mundo, informou que o estado de saúde do chefe de Estado, que foi operado nesta terça-feira (11/12) em Havana, passou de “estável” para “favorável”. 

A saúde do presidente foi tema também entre os eleitores de Jaua, que aguentaram horas de tempo ruim para assistir o comício. “O melhor que podemos fazer por Chávez é ir votar massivamente no próximo domingo. Tenho certeza que ganharemos em todos os Estados”, afirmou a enfermeira Gloria Zuñiga, de 43 anos. Apesar disso, a mirandina disse já se sentir cansada do volume de eleições no país desde a chegada de Chávez – foram 14 até hoje. “Mas nos faz bem, fortalece a nossa democracia”, contemporizou.



Capriles Radonski: Por Miranda y por Venezuela... por Globovision

À noite, Capriles também mencionou a cirurgia do presidente. Segundo ele, a saúde de Chávez “não tem nada a ver” com as eleições regionais. Apesar de ressaltar ser “absolutamente solidário” com a situação do líder venezuelano, disse “nunca ter construído nada com base na debilidade que outro possa ter”. Para Capriles, sua reeleição significaria uma vitória do “bem contra o mal”.

Miranda

Miranda é onde acontece uma espécie de mini-eleição presidencial, tanto pela presença de Capriles, como pela importância da vitória para o chavismo. Em Miranda fica boa parte da chamada Grande Caracas, divisão onde está inserida a capital venezuelana e, por isso, de grande relevância nacional.

Além disso, Miranda concentra grandes zonas industriais e financeiras do país. Em 2008, Capriles venceu o páreo contra Diosdado Cabello, atualmente presidente da Assembleia Nacional. O chavismo tenta reverter o jogo com Jaua, cuja estratégia é garantir o apoio das localidades mais humildes do Estado, como Petare.

Além de Miranda, os Estados de Zulia, Carabobo, Táchira e Barinas guardam embates decisivos para o chavismo, uma vez que todos, exceto Barinas, são governados por partidos opositores. 

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