Pinochet organizou golpe para refutar resultado de plebiscito no Chile

Ditador chileno estava disposto a usar violência que fosse necessária", segundo documentos do governo dos Estados Unidos

Redação

No dia em que o filme No pode dar ao Chile o seu primeiro Oscar, a história do fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) ganhou um novo capítulo.

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De acordo com documentos do governo norte-americano, Pinochet tinha a intenção de dar um segundo golpe de Estado e se manter no poder caso fosse derrotado no plebiscito que selou o fim do seu regime e que é contado no filme de Pablo Larraín. Para continuar com seu governo, o ditador chileno tinha a intenção até mesmo de usar violência.

Em setembro de 1988, o embaixador norte-americano no Chile enviou alerta a Washington falando sobre “a possibilidade iminente de um golpe realizado pelo governo”, se Pinochet fosse derrotado na consulta popular.

“A determinação de Pinochet é empregar a violência que for necessária para continuar no poder”, afirma o documento, assinado pelo diplomata Barnes.

O aviso do embaixador foi confirmado posteriormente pela agência de inteligência do Departamento de Defesa dos EUA. “Eles esperam que os atos de violência provoquem um ciclo de violência e desordem. A partir daí, as eleições seriam suspensas e adiadas de forma indefinida.”

Segundo os documentos, divulgados pela organização independente National Security Archive, o governo de Ronald Reagan fez chegar a Pinochet que era contrário a tal reação e que o relacionamento entre os países seria “muito danificado”, caso tal medida fosse colocada em prática. Dessa maneira, partidários do ditador teriam o convencido a abandonar a ideia e aceitar a derrota no plebiscito. 

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